A família Kasuya, de Londrina, tem canal no YouTube e acaba de lançar aplicativo de celular para que os pedidos de salada sejam feitos com mais tranquilidade
A família Kasuya, de Londrina, tem canal no YouTube e acaba de lançar aplicativo de celular para que os pedidos de salada sejam feitos com mais tranquilidade | Foto: Fotos: Marcos Zanutto



Uma família do campo proativa, de olho nas mudanças do mundo, atenta às tecnologias do dia a dia das pessoas da cidade e tão próxima do cliente final. É difícil dizer em poucas palavras como a família Kasuya transformou o seu negócio rural. Uma mudança tão grande nos últimos anos, que fez a família deixar a tradicional comercialização da produção pela Ceasa e hoje ter a maioria dos clientes chegando através do Instagram e boa parte das vendas via WhatsApp.

O giro de 180 graus começou há cerca de quatro anos, quando Yoshi Yuki Kasuya percebeu que seus morangos estavam valendo na Ceasa a bagatela de R$ 1 a bandeja. Uma piada de mau gosto ao produtor. Abandonou o local e começou a vender de porta em porta nas escolas. O negócio começou a andar e a clientela crescer.

O filho Helder, formado em Administração, resolveu então deixar o emprego em instituições financeiras e apostar no negócio da família, ampliando assim o relacionamento com os clientes por diferentes caminhos. Hoje a propriedade de 11,5 hectares é dividida da seguinte forma: em uma das partes, em 1 hectare, Helder é sócio dois pais na produção e comercialização dos Morangos Kasuya, com 15 mil pés plantados de variedades chilena e italiana.

Do outro lado, em três hectares, ele e duas tias trabalham na Akko Saladas, que atende mais de 600 clientes semanalmente com um volume de 62 mil pés plantados. "Hoje ainda temos algumas parcerias com pequenos sacolões e mercadinhos, onde temos um espaço legal para expor nossos produtos. Mas 95% das vendas são com o consumidor final, uma relação direta. Tenho uma equipe comercial com quatro pessoas (duas integrais e duas meio período) que ficam respondendo WhatsApp, Facebook e Instagram, gerando pedidos."

No caso das saladas, tudo é entregue aos clientes na porta de casa por oito entregadores que rodam de carro na segunda, terça e quinta. O carro-chefe das saladas é o "tremix" (alface americana, tomatinho e rúcula numa mesma porção), mas Helder cita que o que está "bombando" no momento é a couve kale (pelas suas características nutricionais) e a alface brunela, considerada mais crocante que a americana.

Helder comenta que trabalhou de forma intensa com as redes sociais – hoje a Akko Saladas tem até canal no YouTube falando de receitas até temas de RH – porque é uma forma de ter um relacionamento direto com o cliente, eliminando o atravessador. "O ponto positivo de vender a um supermercado, por exemplo, é que ele já tem um alcance e visibilidade, o cliente vai lá para isso. O negativo é que ninguém vai cuidar melhor do seu produto do que você, além das margens menores e prazos de pagamento que são muito ruins em grandes redes."

Para ele, o "pulo do gato" do negócio foi o domínio completo das redes sociais – só a Akko Saladas conta com 10,8 mil seguidores no Instagram – juntamente com o trabalho com produtos orgânicos. "Foi a combinação perfeita, mostrando (aos clientes) o produto em sua origem e pensando na saúde das pessoas."

Agora, a expectativa é que o negócio continue crescendo, inclusive em volume produtivo. Helder explica que só esse ano o plantio das variedades já triplicou. "Até o final do ano vamos alcançar 100 mil pés por mês de alface e outras folhosas. Também estamos investindo em tecnologia, com uma tela de sombreamento de Israel que evita as intempéries climáticas e melhora a fotossíntese da planta", complementa o empresário, que ainda nesta semana lançou um app de celular para que os clientes façam os pedidos de salada com ainda mais tranquilidade.

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