Custos do transporte reduzem os lucros
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sexta-feira, 28 de setembro de 2001
Cláudia Barberato<br> De Londrina 
Quando escolhe o que plantar muitas vezes o produtor desconhece que o transporte daquilo que ele vai colher pode inviabilizar sua lucratividade. Quando o produto tem valor baixo no mercado, decorrente da relação entre oferta e demanda, o custo do transporte da colheita até a cooperativa ou indústria, pode representar até um quarto no custo de produção deste produto.
O alerta é do agrônomo Augusto Hauber Gameiro, autor do livro Transporte e Logística em Sistemas Agroindustriais, escrito em parceria com o professor José Vicente Caixeta-Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
No Paraná, de acordo com Flávio Turra, do departamento econômico da Ocepar, a iniciativa privada já alterou o transporte da safra. Hoje 60% ainda é transportado via rodoviária mas o índice via ferrovias está aumentando (cerca de 40%) e o sistema hidroviário ainda é inexpressivo.
Valor comprometido O custo do transporte pode ser dimensionado de acordo com a destinação do produto, para mercado interno ou externo. No Paraná, por exemplo, uma soja produzida em Cascavel, que vai ser transportada até Paranaguá para exportação, tem de 7% a 8% do seu valor comprometido com o transporte. E esse percentual vai aumentado conforme a distância onde ser quer levar o produto, explica Flávio Turra.
No caso do milho, segundo Augusto Gameiro, dependendo de onde está instalada a lavoura, o custo do transporte do produto para exportação pode chegar a mais de 25%. Antes de escolher o que plantar é importante que o produtor analise não só mercado e preço de insumos, mas também para quem e onde vender a safra, aconselha Turra. Falar de custos de produção depende do ano, dos preços dos produtos e da distância onde está a lavoura, completa Gameiro.
No Paraná, segundo Turra, para produtos de menor valor agregado existe a opção de entrega da produção num raio de 30 a 50 km da propriedade o que não pesa muito no custo de produção. Outra alternativa, no caso do milho, seria vender para quem faz produtos de valor agregado, como o frango e suíno.
Longa distância O maior peso do transporte no custo de produção é verificado nas fronteiras agrícolas como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, e outros, onde as distâncias são maiores entre a produção e a indústria ou o porto. Por isso nestes locais já existem investimentos no transporte ferroviário ou hidroviário que se mostram mais eficientes em termos de custos. Segundo Turra o ferroviário representa 75% do custo do rodoviário.
Mudança de perfil Em todo o País a rodovia ainda é o meio mais utilizado para o transporte dos grãos (81% da safra), num desequilíbrio entre os sistemas. Segundo o agrônomo Augusto Gameiro, o Brasil teve e ainda tem uma série de circunstâncias naturais e geográficas que impediram o maior desenvolvimento dos outros modais como o ferroviário e até o hidroviário. Nem todos os rios são navegáveis. E os investimentos em ferrovias nem sempre são viáveis.
Gameiro acredita que a entrada da iniciativa privada, pelas concessões de rodovias e ferrovias no País, deve mudar este perfil. Uma outra modalidade que deverá crescer no País, de acordo com Gameiro, é a cabotagem, o transporte marítimo margeando a costa brasileira. A dificuldade é que este tipo de transporte é mais lento e não serve a produtos perecíveis. Mesmo assim tem um custo variável menor com o gasto de combustível e por apresentar menor atrito com a água resulta em menor perda na qualidade dos produtos.
A melhor escolha Embora o custo fixo no transporte rodoviário seja menor (somente a compra do caminhão) o custo variável é maior (combustível) e ainda há o problema da concentração do transporte da safra. Qualquer aumento de produção provoca filas e aumento do valor dos fretes. É nesta hora que o transporte passa a ter maior peso e não há por parte do produtor meios de controlar a situação. E a escolha da melhor época é outro ponto fundamental, uma vez que os valores dos fretes são sazonais.
Segundo Augusto Gameiro, não existem programas em que o produtor possa se basear para escolher a melhor forma de transportar a produção. ''Os programas, quando existem, são iniciativas individuais. E deverá ser por aí o caminho. Cada um (fazenda, cooperativa ou agroindústria) tentando otimizar sua movimentação logística.


