Enquanto se divulga o sucesso da pecuária, como a expansão do mercado da carne, conquista de novos mercados, etc, os custos vão corroendo o lucro do produtor. A cada notícia sobre as prosperidade do setor, a indústria aproveita e eleva os preços.
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) divulgou esta semana o aumento do custo de produção do setor. Pelos dados da assessoria da CNA - também divulgados na imprensa - a pecuária de corte brasileira perdeu renda entre janeiro e junho deste ano, em razão da elevação nos custos de produção, acima dos indicadores dos demais da economia.
Pesquisa feita pela CNA, em parceria com o Cepea/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo), mostra que os custos de produção do setor subiram 7% nos primeiros seis meses deste ano, enquanto os preços médios pagos pela carne caíram 6,7%.
O estudo considera dados coletados nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia e São Paulo, que concentram mais de 50% do rebanho nacional, e têm forte influência na formação de preços da carne.
De janeiro até o final junho, a maior parte dos insumos necessários à pecuária apresentaram alta de preços.
O sal mineral, que representa mais de 20% das despesas mensais do setor, ficou 11,11% mais caro nos primeiros seis meses deste ano. Máquinas e implementos agrícolas tiveram alta de 19,55% no período, enquanto que as despesas com mão-de-obra subiram 20%, refletindo, entre outros pontos, o reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 200 para R$ 240.
Já os preços pagos pelo boi gordo ao produtor caíram em todos os Estados incluídos na pesquisa. A queda dos preços pagos pelo boi gordo, porém, não foi repassada ao consumidor, de acordo com a CNA.
A maior perda de renda para a pecuária de corte foi registrada no Mato Grosso do Sul, detentor do maior rebanho entre os Estados brasileiros, onde houve alta dos insumos em 10,35% e queda do preço pago pelo boi gordo em 10,12%.
Em entrevista à Agência Folha, o coordenador do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira, pondera que em junho houve uma redução dos custos da pecuária e leve recuperação dos preços pagos ao produtor, mas ainda em patamares insuficientes para reverter a perda de renda acumulada no primeiro semestre.

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