Custo, produção e preço
Custo, produção e preço
O pesquisador Sérgio Dotto, da Embrapa Soja, lembra que, enquanto o real acompanhava o valor do dólar, era bom comprar trigo na Argentina. Mas, no final da semana passada, o trigo argentino estava valendo US$133,00 a tonelada no porto daquele país e chegava no moinho em Curitiba a R$300,00, enquanto o trigo do Norte do Paraná valia R$260,00 nesta região.
A R$260,00 é altamente compensador produzir trigo no Brasil, analisa o pesquisador. Um produtor do Norte do Paraná que colha 50 sacas por hectare, tem custo máximo de R$29,00 e lucratividade equivalente a 20,5 sacas por hectare. É um bom lucro, numa época em que a maioria dos agricultores não tem lucro nenhum, conclui. Enquanto isso, o produtor de milho safrinha não colhe este ano média acima de 50 sacas por hectare. E a saca de milho está valendo de R$7,50 a R$8,00 a saca, enquanto a saca de trigo é vendida por R$13,20.
Dotto acredita que a produção brasileira de trigo deveria ser estimulada, para atender a pelo menos 50% do consumo de 8,6 milhões de toneladas. Na região Sul o trigo é importante componente do sistema agrícola, inclusive porque diminui de 15 a 20% os custos de instalação das lavouras de verão. Proporciona receita indireta, ao movimentar a comercialização de fertilizantes, agroquímicos e outros insumos; proporciona também renda aos serviços de peças, oficinas, transportes; receita direta de ICMS e colocação de mão-de-obra cada 15 hectares gera um emprego direto.
Além disso, lembra Dotto, o ingresso dessas receitas na entressafra da safra de verão sustentaria muitos municípios. Esta é a importância social da cultura, e dessa forma estimula o produtor a ficar na propriedade. Na opinião do pesquisador, deveria existir uma política especial de trigo para a região Sul do País, a principal produtora (o Paraná, sozinho, produz mais da metade do trigo brasileiro) nacional.
A Argentina não pode expandir muito sua triticultura, pois tem pequena área em condições de suportar duas safras ao ano, ao contrário do que ocorre no Brasil. A única maneira dos argentinos produzirem mais trigo é aumentando a produtividade, e para isso necessitam aumentar a aplicação de fertilizantes, elevando seus custos. Dotto acha que uma política de incentivo ao uso da tecnologia já disponível elevaria a produtividade média para 2.500 kg/hectare.(J.O.)





