Custo elevado prejudica produtor
''O clima contribuiu, mas a redução da área plantada foi o principal fator para o aumento de preço do feijão, pois já apontava para a diminuição da oferta no ano'', argumenta o diretor da corretora Correpar, Marcelo Lurdes. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento apontam oferta de 2,97 milhões de toneladas da leguminosa no País, 772 mil toneladas a menos do que em 2011. Lurdes lembra que a produção pode ser ainda menor em decorrência do impacto que a estiagem no Nordeste deve causar na terceira safra. O Brasil consome, em média, 5 milhões de sacas de feijão por mês e, de acordo com os cálculos da Correpar, a redução da safra equivale a 12,7 milhões de sacas de feijão.
Segundo ele, a falta de ação do Ministério da Agricultura para proteger o produtor de feijão, aliada aos altos preços da soja e do milho fizeram o agricultor desistir da cultura. ''O preço mínimo já é baixo e ainda não foi cumprido, o que desestimulou os produtores a plantar feijão. O feijão precisa de maior agilidade nas ações e políticas de apoio ao setor. O feijão está se tornando pouco atraente diante dos preços atuais da soja e há uma tendência de dimuição de plantio'', afirma Lurdes, demonstrando preocupação.
Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) mostra que nos cinco primeiros meses deste ano, os preços médios do feijão superaram o custo de produção, atualmente de R$ 66,41 por saca. Já na avaliação da corretora, o custo já chega a R$ 80 por saca. Lurdes avalia que o custo ainda vai subir, tendo em vista que os insumos são comercializados em dólar, que sofreu valorização. Para solucionar o problema, ele alega a necessidade de reajuste do preço mínimo, bem como a diferenciação entre feijão preto e carioca.
Até o final do ano, a expectativa da Correpar é de manutenção dos preços altos, devido a baixa oferta do produto. ''Existe perspectiva de que a área plantada com feijão aumente um pouco em 2013 mas é improvável que seja suficiente para atingir a necessidade brasileira'', afirma.
Importação
A estimativa da Conab é de que o consumo brasileiro da leguminosa tradicional chegue a 3,7 milhões de toneladas, superando a produção prevista de 2,97 milhões. Para atender a demanda interna, o País recorre à importação. Entre janeiro e abril deste ano, as importações totalizaram 78,2 mil toneladas, volume 177% superior ao do mesmo período do ano passado, quando as aquisições somaram 28,2 mil toneladas. Segundo a Faep, o Paraná é responsável por®MDBU ®MDNM 77% do total importado pelo País, sendo que a maior parte do produto é originário da China.
No ano passado, o Brasil chegou a importar 200 mil toneladas de feijão. Lurdes ressalta que a concorrência com o produto chinês é prejudicial, uma vez que o custo de produção no país asiático é bastante reduzido e os produtores contam com estímulo do governo. ''A Conab não fez nada para mudar isso. Queremos que o nosso produtor tenha igualdade de condições para atuar no mercado e regras claras de garantia de preço mínimo para evitar o risco de falta de abastecimento'', critica.(M.F.)






