Custo é alto e vale a pena
O presidente da Companhia de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Enori Barbieri, explica que o custo para se tornar área livre de aftosa sem vacinação é alto para o estado, mas que vale a pena. "A opção de voltar atrás é zero, porque agora é só ir para frente. Os mercados foram conquistados e temos de atender o paladar deles."
Ele se refere a um erro estratégico, porque os japoneses gostam de um tipo de carne suína diferente do tipo principal criado em Santa Catarina. "Chegamos à conclusão de que fizemos tudo certo, menos produzir o produto que interessa ao Japão, que é um porco com mais gordura, de uma cor de carne diferente. Temos de mudar nossa genética para atender o mercado japonês e demoramos dois anos para entender isso", conta.
A vantagem é que o país asiático é parceiro antigo do estado. "Sabemos que esse mercado é crescente, porque vendemos frango há 40 anos para o Japão e é algo crescente. Santa Catarina não teve retorno do investimento hoje, mas é uma aposta para o futuro."
Barbieri afirma que não adianta esperar que o produto se venderá sozinho a partir do momento em que a região se torna livre da doença sem vacinação. "Os mercados que buscamos lá fora já têm dono e demora para conseguir entrar", diz.
Para o Paraná, ele enxerga uma vantagem. Apesar da competição catarinense no caso da carne suína, o presidente da Cidasc lembra que o Estado tem boa produção de bovinos. "O Paraná tem uma grande oportunidade porque tem muita suinocultura, tem bovinocultura que pode produzir para exportação de primeiro mundo, como Europa, Estados Unidos, Japão."
O grande fornecedor mundial de carne de boi é a Austrália, que tem plantel de qualidade e de raças europeias. "A grande maioria do Brasil produz as raças zebuínas e, no Paraná, sei que há muito cruzamento com raças europeias, que é uma carne mais apreciada na Europa", alerta. (F.G.)





