Cláudia Barberato
De Londrina
Boa notícia para os pecuaristas que usam sal mineral na dieta do rebanho. A Secretaria de Apoio Rural e Cooperativismo, do Ministério da Agricultura, publicou no início do mês a Portaria nº 6, que libera o uso de novas fontes de fósforo nas misturas do sal mineral destinado à alimentação não só de bovinos, mas também de suínos e aves. ‘‘Os custos de aquisição do produto poderão ser reduzidos em até 50%’’, calcula o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antenor Nogueira.
A regulamentação anterior reduzia as opções de compra dos fabricantes de sal mineral a apenas uma fonte de fósforo: o fosfato bicálcio. ‘‘Esse produto estava nas mãos de apenas três fabricantes no Brasil’’, garante Nogueira.
O monopólio, segundo o presidente do Fórum, impunha aos pecuaristas produtos caros, que elevavam o custo de produção e reduziam a competitividade do rebanho.
‘‘Conseguimos convencer o Ministério da Agricultura de que a mistura final da suplementação alimentar, que deve atender ao limite máximo de duas mil partes por milhão de flúor, é o que realmente importava’’, justifica.
Redução das despesasCom a flexibilização para uso de novas fontes de fósforo, nas misturas de sal mineral para a alimentação animal, Antenor Nogueira acredita numa redução de até R$864 milhões nas despesas dos pecuaristas com a nutrição suplementar.
Segundo Nogueira, dos 160 milhões de cabeças de bovinos – atual número do rebanho brasileiro – somente 40% criados a pasto recebem hoje regularmente a dieta da mineralização. Um dos impedimentos de ampliar esse uso está no custo do produto.
A redução dos preços do sal mineral, na opinião de Nogueira, vai depender das cooperativas ou dos misturadores do sal mineral, mas ele acredita que em pouco tempo o produto será vendido por preços menores dos que os atuais. ‘‘A redução dos preços poderá ser de até 50%’’, acredita Nogueira.
O preço do fosfato bicálcio, calcula, aumentou 87% nos últimos dois anos. ‘‘É um produto essencialmente brasileiro, que não tem nada de importado e é cotado em dólar.’’
Novas fontesO fósforo é a matéria-prima que representa o maior custo na composição do sal mineral. Três empresas (Tortuga, Mitsui e Serrana) detinham o comércio do fosfato bicálcio usado na mistura do sal mineral. Agora outras fontes, como o fosfato triplo, fosfato monamônio, fosfato parcialmente acidulado e fosfato de rocha poderão ser utilizados na mistura do sal mineral, aumentando a possibilidade de concorrência frente às empresas que dominavam o mercado.
‘‘Há um trabalho da Embrapa Cerrados que comprovou que o uso dessas outras fontes de fosfato não alteram o produto final e, em muitos casos, mostram-se até mais eficientes’’, revela Nogueira.
O Fórum da Pecuária de Corte estima que um pecuarista que mineralize corretamente um rebanho de 100 cabeças gaste R$2.700,00 por ano. A partir da nova portaria e o uso de fontes alternativas a economia poderá ser de R$1.350,00 por ano.
‘‘A redução de custo reforça a rentabilidade do setor e aumenta a competivividade do rebanho nos mercados interno e externo’’, acredita Antenor Nogueira.
Quem cria bovinos nos Cerrados, assegura, é obrigado a mineralizar o rebanho, já que os níveis de minerais no capim são muito baixos. Na suplementação de uma fêmea ou de um macho gasta-se 1 saco e meio de sal por ano, o que dá R$27,00 de custo por cabeça/ano.
‘‘Se o custo for reduzido para R$13,50 haverá chances dos produtores que não utilizam a mineralização do rebanho passarem a adotá-la e para os que já adotam a mineralização, haverá uma economia de 50%, possibilitando novos investimentos na atividade.’’
Hoje, segundo Nogueira, o saco de sal mineral com 90% de fósforo custa em média R$18,00. O uso do mineral na dieta, lembra Nogueira, aumenta a fertilidade das fêmeas, traz maior produção de leite, bezerros nascem mais saudáveis, entre outros benefícios. Outra vantagem estaria no aumento da fertilidade média do rebanho brasileiro, que hoje está na faixa dos 50%, para índices perto de 70% a 80% num rebanho mineralizado.

mockup