Custo de produção dobra em relação a outras raças
Se o retorno para quem aposta na raça Wagyu é positivo, é preciso ressaltar que os animais passam por um manejo diferenciado desde o nascimento. No período de 0 a 8 meses são realizadas duas mamadas diárias com a mãe, sendo que em outros horários do dia os bezerros vão à pasto, e ainda se alimentam com ração complementar, já se habituando com o alimento que vão consumir futuramente.
Após oito meses, os bezerros Wagyu vão para o semiconfinamento, quando se alimentam basicamente ração, mas no pasto. Por fim, o confinamento é essencial para definir a maciez da carne e o grau de marmoreio, que começa a se formar a partir do segundo ano de vida do animal. O abate acontece com três anos.
"A partir dos 24 meses ele passa a um confinamento final de dez meses a um ano até chegar o abate. A ração é diferente de um nelore ou angus dentro do confinamento, até para não ter influência sobre o resultado final da carne. Ela é baseada em farelo de soja e milho, mas com micronutrientes integrados", explica o responsável pelo gerenciamento da Noma Agropecuária, Paulo Farias.
Ele calcula que o custo de produção do animal é duas vezes mais caro se comparado à criação de raças convencionais, devido ao manejo diferenciado e o maior tempo até o abate. Já a arroba varia de R$ 180 a R$ 220, conforme o marmoreio do animal, que é avaliado através de ultrassom.
"Importamos recentemente 90 embriões dos Estados Unidos, de origem japonesa, de animais com marmoreios altos para utilizarmos em nosso rebanho. O primeiro objetivo é chegar ao 10 da escala de 1 a 12. Para chegar neste patamar, é preciso combinar genética com manejo adequado, com o objetivo dele chegar em equilíbrio a 750 quilos, momento que o Wagyu expressa todo seu potencial", diz Farias.
Conforme ele, a raça se adaptou muito bem ao Estado, além da região Sul de São Paulo e Mato Grosso e Santa Catarina. Pela sua rusticidade, o rebanho suporta períodos quentes. "Em Rondônia, foi preciso realizar algumas mudanças no manejo, como a implementação de áreas sombreadas. Por ele ter pelo escuro, é preciso fazer um trabalho forte em relação a parasitas, principalmente carrapatos", complementa Farias. (V.L.)






