Curso noturno de agronomia vem atender demanda
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de abril de 2009
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
Já estou atuando na área e pensei na possibilidade de concilar o curso com meu trabalho no futuro. A justificativa é de Nilson Darlan Vieira, funcionário da Embrapa e calouro da turma de Agronomia do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), uma das primeiras a atender no período noturno em Londrina e região. Foi para suprir a demanda de pessoas impossibilitadas de frequentar aulas durante o dia que está surgindo a oferta de vagas noturnas em áreas disponíveis anteriormente somente em horário integral.
Este é o perfil que predomina nas duas turmas com cerca de 40 alunos abertas neste início de semestre. A tendência, segundo estimativas da instituição de ensino, é de profissionais que já atuam no ramo preencherem a maior parte das cadeiras. A finalidade é aumentar o nível de qualificação para ter mais chances de ascensão dentro da empresa. Como eu sou da área de agropecuária, sendo agrônomo as oportunidades de crescer são maiores, completou Vieira.
Ampliar o acesso de indivíduos com ou sem condições financeiras de abandonar o trabalho para estudar, definiu Luciana Grange, coordenadora do corpo docente do curso de Agronomia da Unifil. Essa é a meta do projeto que assumiu: alinhar o ensino aos objetivos da demanda. Isso significa que o aspecto prático prevaleceu sobre os moldes tradicionais de cursos de agronomia que são direcionados a pesquisas.
Rômulo Valler é mais um estudante que está animado com a possibilidade de ser agrônomo. Ele trabalha em uma empresa de logística em agropecuária e acredita que o diploma de curso superior vai possibilitar novas oportunidades na área com a qual se identifica. A perspectiva após me formar é sair preparado para enfrentar a rotina do campo. Hoje o perfil está mudando e o agricultor agora é um empresário rural, aponta.
Segundo o professor de microbiologia agrícola, Higo Amaral, no primeiro mês de aulas já deu para sentir que muitos vêm da área agrária. Os que não trabalham, ajudam os pais nas propriedades. A maioria tem contato com as ciências agrárias e quer se especializar, afirma. Esse é objetivo de Caroline Garcia Vicente, cujos pais possuem negócios no ramo. Eu também gosto muito dessa área, por isso escolhi o curso, afirma.
De acordo com Luciana, a experiência do curso noturno de Agronomia amplia a possibilidade de pessoas com idades, objetivos e experiências distintas se encontrarem. Tenho desde alunos bancados pelos pais até os que trabalham em grandes empresas ligadas a agropecuária na região, completou. Por isso, elenca como maior característica a chance de qualificação para profissionais que já trabalham como técnicos agropecuários ou na área de vendas de insumos ou adubos.
Outro ponto forte que a coordenadora elenca é o perfil multidisciplinar dos seus professores. Uma formação menos especializada, ou seja, um grupo que tem experiências em áreas complementares auxilia na hora de mostrar a profissão de uma maneira mais ampla para quem está ingressando. Na prática, os professores são os pais profissionais dos alunos. Eles não dizem com quem eu devo namorar, mas dizem quais livros eu devo ler, ressaltou Luciana.
A abertura de um curso tradicionalmente integral em período noturno pode suscitar dúvidas de quem pretende ingressar na área. O principal ponto é com relação às aulas práticas, afinal além da carga horária ser reduzida também tem a questão da iluminação dos espaços destinados às atividades. Mas segundo a coordenadora Luciana Grange, uma fazenda experimental, o Campus Palhano, está sendo montada numa área em frente ao Centro de Eventos de Londrina, para a oferta das aulas práticas. Parcerias também estão sendo feitas para garantir as visitas a propriedades rurais ativas.


