Curitiba - Jovens que acreditam na possibilidade de ter um futuro promissor, permanecendo no meio rural, onde estão suas origens, reuniram-se esta semana, em Curitiba, para aprender e discutir propostas de como estimular outros jovens a seguirem o mesmo caminho. A intenção da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Estado do Paraná (Fetaep) é incentivar a população jovem do campo a se envolver em projetos de desenvolvimento comunitário e de sindicalismo rural.
A capacitação dos jovens líderes, com idade entre 16 e 32 anos, está sendo realizada em parceria com o Instituto Interamericano de Ações para Cidadania (IIDAC). A entidade é especializada em trabalhos com a juventude e já desenvolveu vários projetos para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Nessa primeira etapa, participaram do curso cerca de 30 pessoas de dez diferentes regiões do Estado. Cada região é representada por um jovem, um sindicalista e um assessor, além de técnicos da Emater. Os grupos serão os responsáveis pela implementação de projetos em suas regiões, a partir do segundo semestre.
''A continuidade do sindicalismo depende dessa renovação. Serão jovens capacitados a formularem e organizarem projetos de seu interesse'', avaliou o assessor de Políticas Agrícolas da Fetaep, Benedito Almeida. Segundo ele, a maioria dos projetos deve ser voltada à área social (saúde, educação etc.), mas os jovens também estão estimulados a trabalhar, por exemplo, com propostas de desenvolvimento da agroindústria ou da indústria da transformação.
Em Indianópolis (65 quilômetros a nordeste de Umuarama), os jovens já estão colocando a mão na massa. Alexandre Vieira Lima Parente, de 24 anos, que integra o sindicato dos trabalhadores rurais do município, conta que o projeto de uma cozinha comunitária está prestes a sair do papel. Os recursos, segundo ele, já estão assegurados. A idéia é trabalhar na produção de embutidos, aproveitando o potencial da suinocultura e avicultura, além de programar cursos para a comunidade, ensinando o melhor aproveitamento dos alimentos.
''Em geral, o pessoal do campo tem pouco estudo e muito medo de se arriscar em um empreendimento, achando que irá se dar mal'', afirmou o jovem agricultor Marcos Júnior Brambilla, de 22 anos. Para ele, além da falta de espírito empreendedor, os produtores rurais em seu município, Capitão Leônidas Marques (78 km ao sul de Cascavel), têm pouco acesso à assistência técnica.
Brambilla, que não pensa em deixar o meio rural, concluiu o ensino médio e quer ampliar seus conhecimentos nas áreas de técnica agrícola e zootecnia, buscando cursos profissionalizantes. ''O campo é uma fonte inesgotável. Basta saber usar e ter vontade de ficar (no meio rural) para buscar alternativas de desenvolvimento'', afirmou.
Com seus poucos 18 anos, Daniele Stabach, de Contenda, Região Metropolitana de Curitiba, tem convicção em seguir os mesmos passos de seus pais e continuar trabalhando no campo, depois de conseguir entrar em uma universidade para cursar agronomia. Ela faz parte da quarta geração de seus familiares que vêm se dedicando à agricultura. ''É um ramo que nunca pára porque as pessoas precisam se alimentar'', disse Daniele, apostando nas oportunidades que a agropecuária oferece, inclusive, aos jovens.

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