Aprovado pelo Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP), o curso de Economia Agroindustrial é parecido com o curso tradicional de Economia, mas tem disciplinas optativas que oferecem aos alunos a possibilidade de se familiarizarem com as questões econômicas relacionadas à agricultura, agroindústria, recursos naturais e meio ambiente, e desenvolvimento regional.
As inscrições serão aceitas de 20 a 29 deste mês. O curso é o primeiro do Brasil, oferece apenas 20 vagas e já faz parte do vestibular da Fuvest/98. O vestibular será realizado em dois fins de semana, no começo do ano. Agora A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), sediada em Piracicaba, oferecerá três cursos de graduação: Engenharia Agronômica, Engenharia Florestal e Economia Agroindustrial.
GlobalizaçãoO professor Paulo Fernando Cidade de Araújo, chefe do Departamento de Economia e Sociologia Rural da ESALQ, diz que o curso tem uma ‘‘ênfase aplicada’’, ao utilizar os conhecimentos de Ciências Econômicas no tratamento de questões relacionadas àquelas áreas. Essas áreas representam ceca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, ‘‘além de possuírem um grande potencial de expansão e desenvolvimento’’. Seus alunos terão a oportunidade de escolher disciplinas optativas ‘‘que procuram dotar os estudantes de amplos conhecimentos administrativos, visando formar um profissional apto a trabalhar nas iniciativas privada (principalmente) e pública.
O curso possibilitará que os alunos, ao se graduarem, possam vir a atuar no mercado de trabalho de acordo com seus interesses. O professor aponta algumas áreas potenciais de trabalho: analista de mercados agroindustriais; analista de estratégia e política internacional; analista de projetos agroindustriais; especialista em comercialização de commodities; especialista em certificação de atividades agroindustriais; especialista em planejamento estratégico; especialista em desenvolvimento regional; gerente-diretor de empresa agroindustrial; gerente de administração de riscos; gerente-diretor de recursos naturais e ambientais; gerente-diretor de logística agroindustrial.
A primeira turma será graduada no final do ano 2001. Cidade de Araújo salienta que se trata de um período ‘‘em que estará em plena consolidação’’ a formação de blocos internacionais de negociação como o Mercosul e a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas). ‘‘Trata-se de uma nova era em nossa economia, a era da economia globalizada’’, conclui o professor.
O professor Carlos José Caetano Bacha, do Departamento de Economia e Sociologia Rural da ESALQ, explica como o economista agroindustrial agirá na economia globalizada: ele será um economista, basicamente. Empregado em uma empresa, planejará essa empresa para uma economia globalizada. Por exemplo, a política cambial é a âncora do Plano Real. ‘‘Um economista agroindustrial tem que entender este contexto e ver que sua empresa hoje tem que trabalhar considerando a realidade do câmbio como está. Assim, precisa diminuir seu custo, aumentar a produtividade, porque na via cambial não vai ganhar nada. Em vez de ficar na galera, esperando o câmbio desvalorizar, vai traçar uma estratégia para que sua empresa possa sobreviver’’.
Outro exemplo: uma empresa que pretenda comercializar produtos agroindustriais, tem que trabalhar dentro do contexto internacional. Se o preço do milho estiver baixo, terá que trabalhar nessa realidade, e poderá optar por fazer um mix, visando um custo baixo, porque estará administrando uma empresa inserida numa economia globalizada. Ou seja: ‘‘Tem que ver que sua empresa é parte de um todo com o qual se inter-relaciona, mas não molda o todo. O todo é que molda sua empresa.’’
Desenvolvimento regionalO economista agroindustrial pode contribuir para o desenvolvimento regional a partir das agroindústrias nos locais de produção, para maior agregação de valores às economias locais, regionais e estaduais. No Paraná, por exemplo, há uma escassez de agroindústrias nas zonas de produção, o que proporciona uma evasão de divisas, e o ‘‘passeio’’ de matérias-primas que saem do Estado, vão agregar valores longe do produtor e voltam industrializadas.
Carlos Bacha lembra que no Brasil existem mais de cinco mil prefeituras. Todas elas têm que elaborar orçamentos e planos de desenvolvimento. ‘‘Ora, isto é coisa de economista’’. E todas elas têm que fazer programa de desenvolvimento. Planejar o desenvolvimento é tarefa de economista ‘‘e este economista será indispensável nisto’’. A indústria que o município quer atrair é o dinamismo da própria região que atrai, diz o professor. Ele destaca que ‘‘a Prefeitura tem que elaborar orçamento compatível com sua receita e com a meta de seu desenvolvimento’’.
Bacha dá o exemplo do leite, como mercadoria que viaja muito: várias regiões produzem leite; o leite anda 50-100 quilômetros e volta na forma de iogurte, queijo e outros produtos industrializados. ‘‘Se tiver um economista, a Prefeitura pode dar condições de movimentar a própria região. Este é um campo em que vamos trabalhar muito’’, conclui.
A Economia Agroindustrial terá 33 disciplinas obrigatórias idênticas às de qualquer outro curso de Economia, mas as optativas serão uma aplicação das disciplinas obrigatórias, não uma simples extensão delas, que serão acompanhadas pela aplicação obrigatória da economia da agricultura, agroindústria e desenvolvimento regional. Por isto, será um curso de economia aplicada.
Serviço:Para informações adicionais, os interessados podem ligar para o telefone (019) 429-4119.

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