A propriedade do casal Milton, 61, e Luzia Teshima, 51, passou por algumas mudanças desde o início dos anos 2000, quando eles voltaram do Japão, depois de dez anos trabalhando na indústria, decididos a viver no campo.

Compraram a propriedade em Assaí e começaram apenas com a soja. Mas a família cresceu e o rendimento ficou baixo. Em busca de diversificar a produção, tentaram, por exemplo, o bicho da seda. "Não deu muito certo na época", contou Milton à FOLHA.

Eles acertaram a mão com o frango de corte - hoje, principal atividade econômica da pequena propriedade, que também produz soja e trigo. Eles já produzem cerca de 24 mil frangos. Mas, segundo Luzia, tudo era tocado meio intuitivamente. "A gente dizia: vamos fazer isso, que está na moda, e ver no que dá", conta.

Por recomendação de um amigo, o casal resolveu fazer o PER e teve resultados animadores. "No próprio curso a gente fez um diagnóstico da situação atual do sítio, e começamos a conhecer os pontos fortes e fracos, que estamos tentando consertar a partir de agora", disse Milton.

A intenção é colocar em prática o projeto, que foi um dos finalistas: fazer um novo aviário de frango de corte com autossuficiência de lenha. "Estamos correndo atrás de implementar", conta Luzia. "Fazendo o diagnóstico, a gente consegue ter mais confiança", diz.

Milton conta que, se antes tudo era feito "com base no que o pessoal comentava" e nos dados que apenas a integradora tinha, hoje o casal se vê com mais autonomia para analisar o cenário e fazer escolhas.

Agora, ele está de olho em outro projeto: fazer com que os filhos se interessem em continuar o que os pais começaram. São três: a mais velha, de 17, está prestando o vestibular. O de 16 faz escola técnica de eletroeletrônica. A mais nova, por enquanto, está fora do radar - tem 7.

"Com esse curso, foi muito bom, porque eles acabaram participando", conta Milton. "Eles ajudaram na pesquisa, acabaram se envolvendo, percebendo que há novas tecnologias. Acredito que isso os tenha motivado a ver o sítio de uma outra forma", comemora.

Os argumentos são fortes. "Em contato com os números, eles viram que podem ganhar muito mais aqui do que se forem trabalhar na cidade", diz Milton. "Fazendo o projeto, eles constataram que há perspectiva, que é possível. E têm tudo na mão." (R.C.)

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