Cupim é oinseto do ano 2000
Os cupins são a grande ameaça neste próximo milênio. A afirmação é do entomologista e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Eurípedes Barsanulfo Menezes, considerado um dos maiores especialistas em cupins. Ele cita o que está acontecendo no Sul dos Estados Unidos, especialmente em Nova Orleans, onde o cupim de Formosa atacou todos os edifícios dos quarteirões da cidade. São 13 Estados, da Virgínia à Califórnia, com prejuízos que atingem US$1 bilhão por ano.
De acordo com Menezes, a ameaça não é só para a zona urbana, mas também na zona rural, onde os cupins podem ser responsáveis por grandes prejuízos em plantações de culturas perenes ou de grandes extensões como café, soja, trigo, arroz, milho e outras. Basta que ele se adapte às plantas. Segundo Menezes 90% dos cupins são benéficos, o problema são os 10% restantes e a ação do homem contra o meio ambiente, destruindo o habitat natural dos insetos e também seus inimigos naturais.
No Brasil os prejuízos com os cupins estão em várias regiões. Um exemplo está nas plantações de eucaliptos no interior de Minas Gerais. Cultivos de eucaliptos tornaram-se sem valor para a indústria e só poderão ser utilizados como carvão.
VariaçãoOs cupins acabam se adaptando às plantas e destruindo plantações inteiras. Menezes relata que já foram encontrados cupins urbanos em cultivos de cana-de-açúcar e outras plantas na região de zona rural do Rio de Janeiro.
Recentemente em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro, o próprio Menezes descobriu um tipo de cupim, que sempre atacava madeiras podres nas matas, atacando residências e plantas vivas no fundo de quintal. Alguns tipos de cupins se adaptam primeiro às plantas e, depois, passam para as casas.
Difícil controleNo futuro, segundo o entomologista, culturas como o café e a cana, além de outras de cultivo perene, estarão ameaçadas pelo inseto. A recuperação de solo com plantas de ciclo rápido pode até acabar com os cupins, porque não há tempo do inseto, que fica no solo, adaptar-se às raízes das novas plantas. O problema volta quando se coloca planta perene, como o café, para recuperar áreas. O inseto acaba se adaptando às raízes da planta e quando se percebe ela (a planta) está morta.
No Brasil, afirma Menezes, não existem dados estatísticos sobre ataque e prejuízos dos cupins, tanto na zona rural como na urbana, mas sabe-se que são muitos. O cupim, no Brasil, segundo o entomologista, sempre foi considerado como um inseto secundário. Nos Sul dos Estados Unidos já destruíram várias regiões e há pesquisadores trabalhando no combate.
Estima-se que os chamados cupins de montículos, aqueles que vivem em pastagens, estejam atacando 70% das áreas de pasto do Brasil. No caso de pastagens, segundo Menezes, quando se faz a recuperação da área apenas destruindo os murunduns, não é possível matar o rei e a rainha dos insetos, somente os soldados e operárias. Há uma espécie de rainha, por exemplo, que chega a botar 80 mil ovos/dia. Ficando no solo o cupim se adapta à nova cultura da área ou volta a atacar em outro local.
Equilíbrio ambiental Insetos povoam o mundo muito antes da espécie humana e, provavelmente, se ocorrer uma catástrofe nuclear, somente eles sobreviverão. Esta é apenas uma das razões, considera Menezes, pelas quais o homem deve aprender a conhecê-los melhor. Além disso, muitos deles são altamente benéficos e indispensáveis para a humanidade e para o meio ambiente. Na verdade eles fazem parte da diversidade biológica e são fundamentais para o equilíbrio e manutenção da vida no planeta.
O entomologista acredita que a discussão sobre o controle, não só de cupins, mas de outros insetos que estejam causando prejuízos (no campo e na cidade), deve começar com enfoque de manejo ecológico, com objetivo de banir o máximo possível os inseticidas e uso de substâncias tóxicas ao homem e ao meio ambiente.Arquivo FRNas pastagens, somente a destruição dos montículos, não resolve o problemaCláudia Barberato





