A escassez e irregularidade das chuvas nas últimas semanas têm despertado preocupação nos produtores de milho safrinha e trigo. No primeiro, a falta de chuva prejudica a floração; e a principal cultura de inverno, o trigo, depende de precipitações para a semeadura. A deficiência hídrica é generalizada. Em alguns locais da região Norte do Estado a seca se prolonga por 50 dias, em outros não chove há 20 dias. No Sul e Sudoeste, a incidência da chuva é considerada satisfatória.
De acordo com Paulo Caramori, do setor de agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), no Norte, onde só houve pancadas localizadas, a situação é mais preocupante. ''Considerando o solo como um reservatório, se houver disponibilidade de água numa profundidade entre 60 e 70 centímetros, as condições são 100% ideais'', explica o pesquisador. Em alguns locais do Norte, essa disponibilidade está abaixo dos 25%. ''Na maioria das regiões a deficiência hídrica acumulada está entre 40 mm e 70 mm'', diz. Caramori afirma que no Litoral as precipitações foram normais. No Oeste do Estado houve também uma seca pronunciada e a região enfrentou ainda veranico na soja e no milho safrinha.
No mês de abril as chuvas ficaram bem abaixo da média histórica. A estação do Iapar, em Londrina, registrou nesse mês 40 milímetros. ''A média da região é 110 mm'', diz. Em março as precipitações foram próximas do normal: choveu 110 mm, quando a média é 140 mm.
Nos próximos meses, de acordo com Caramori, produtores vão continuar enfrentando precipitações irregulares e abaixo da média histórica. As previsões do início do ano apontavam os efeitos do La NiÀa no clima. ''Esses efeitos foram sentidos no verão, mas agora já estão próximos da neutralidade'', explica. Porém, segundo ele, a tendência climática é de um inverno seco.
O milho safrinha, em fase de floração, está se ressentindo da estiagem no Norte. Segundo o Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab/Deral), poderá haver perdas. A seca prejudica o trigo, cuja época de plantio vai de março até no máximo o dia 20 desde mês. ''Apesar de ser comum a redução de chuva nesta época, o clima pode interferir na área e evolução do trigo'', afirma Otmar Hubner, técnico do Deral.
Caramori afirma que o ideal é aguardar a chuva para fazer a semeadura. ''Se não chover pelo menos 40 mm, o trigo não terá condições de emergir'', diz. Outro problema é que com a falta de chuva e escassez de alimentos, as pombas acabam se alimentando das sementes que estão no solo. O pesquisador do Iapar ressalta que é importante o produtor melhorar as práticas de cultivo, utilizando, por exemplo, plantio direto e boa cobertura de solo para enfrentar a seca. O café também será afetado pela estiagem. ''Com a falta de água a planta acelera a formação do grão, que vai perder qualidade'', afirma.
O último levantamento do Deral, do mês de março, apontou a produção de 5,78 milhões de toneladas de milho safrinha, numa área de 1,5 milhão de hectares. O número aponta para uma quebra de 9% do volume a ser colhido promovido pela estiagem. ''O índice de perda pode ser maior pois as chuvas ainda não vieram'', destacou Hubner. Para o trigo a estimativa é de que o Paraná vá colher entre 2,94 milhões a 3,25 milhões de toneladas cultivados em 1,17 milhão de hectares.

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