Culturas anuais para recuperar
A proposta é do pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Elir de Oliveira, da estação de pesquisa de Palotina, chefe do projeto Reforma de Pasto no Arenito/Integração Lavoura e Pecuária. Segundo ele, é possível recuperar áreas de pastagens com rotação de culturas anuais, com plantio direto. As principais culturas seriam soja, milho, feijão e sorgo-safrinha, plantas forrageiras de entressafra, como milho, sorgo, crotalária, guandu, girassol e aveia granífera e forrageira.
De acordo com o pesquisador José Pedro Garcia Sá, do Iapar em Londrina, o produtor daquela região deveria optar pelas culturas anuais, para viabilizar a reforma das pastagens. As lavouras geram recursos, para depois retomar as pastagens e, além disso, deixam restos de adubo no solo. Sá afirma que não só a soja, mas milho e outras culturas são viáveis naquela região, um incentivo para que o agricultor invista em adubação, manejo que não é feito nas pastagens que foram degragadas ao longo dos anos.
Recuperação do soloA alternância de ciclo de lavouras anuais (culturas graníferas e forrageiras anuais) com ciclos de forrageiras perenes de qualidade, de acordo com Oliveira, é que permitirá ao produtor fazer investimentos na adequação e recuperação físico-química do solo.
Oliveira indica a adoção de práticas mecânicas de conservação do solo já conhecidas, adubação química de correção e plantio direto com permanente deposição de palha no solo através das culturas, plantas de cobertura e forrageiras anuais de entressafra.
Pecuarista e agricultorSegundo o pesquisador do Iapar em Palotina, a pesquisa com culturas específicas (soja, milho, sorgo e outras) é que dará subsídio para formação de sistemas de rotação de culturas em plantio na palha e intergração lavoura-pecuária, adequados para a região Noroeste.
O ciclo de pecuária tradicional, quase extrativista, de baixa lotação e desfrute, sem adubação e manejo do pasto, onde se procuram forrageiras menos exigentes e de menor qualidade para acompanhar o empobrecimento do solo, com certeza está esgotado. A tendência é que todo bom pecuarista seja bom agricultor e vice-versa.
ParceriasAlém do envolvimento dos produtores, é necessário, na visão do pesquisador, trabalho das prefeituras da região, cooperativas, empresas privadas, pesquisa e assistência técnica, para validar a difusão de tecnologias e conseguir a diversificação da região do arenito caiuá.
As análises físico-químicas dos solos feitas pelo Iapar em toda a região do arenito evidenciam, segundo Oliveira, a fragilidade da terra. Noventa por cento é areia e o teor de argila é de apenas 10% em média. Para efeito de comparação, os solos de Palotina ou Marechal Cândido Rondon contêm cerca de 65% de argila. Os solos do arenito, pela sua origem e exploração, possuem baixos níveis de matéria orgânica e baixa capacidade de retenção de água. Além do nível crítico de fósforo, têm baixos teores de cálcio e magnésio e cerca de três vezes menos potássio do que o valor médio necessário para pastagens de boa produtividade.
Potencial produtivoEm compensação, afirma o pesquisador, os solos do arenito têm a grande vantagem de não possuírem alumínio tóxico; não são ácidos, dispensando altas doses de calcário, como ocorre em outras regiões do Paraná.
Através da correção química e plantio direto com palhada na superfície do solo, garante Oliveira, explorando áreas menos declivosas, os solos do arenito apresentam o mesmo potencial produtivo dos solos tradicionalmente ocupados por soja em outras regiões do Estado.
Mais do que em outras regiões, é fundamental, avisa o pesquisador, que a agricultura no Noroeste não se limite somente ao plantio de soja. Mas o que fazer depois da soja? O sorgo ainda tem limitação na comercialização. Há necessidade de maior organização dos produtores junto às empresas, para abrir canais de comercialização para sorgo, que se pode tornar a segunda grande cultura econômica a ser instalada após a colheita da soja.
O feijão, segundo o pesquisador, sendo uma cultura exigente e de risco, é indicado para áreas menores. Nessa situação aumenta a competitividade daquele agricultor com perfil de pecuarista. Ou, então, deverá surgir relação comercial entre agricultor e pecuarista, onde, após soja ou milho de verão, é possível produzir alimento nas entressafras para engorda de boi ou incremento da produção de leite. Nesse período há possibilidade do uso de sorgo forrageiro para pastejo antes da semeadura da soja em novembro.
Sistemas de cultivoDevido à fragilidade dos solos do arenito e a necessidade de sustentabilidade dos sistemas de produção com retorno econômico, preservando os recursos naturais, Oliveira garante que o projeto de reforma no arenito não trata apenas de dessecar a grama e semear a soja. A proposta do Iapar é implantar o sistema de plantio direto na palha e viabilizar alternativas além da soja, principalmente depois da soja e milho.
A pesquisa está avaliando cultivares e linhagens de feijão para semeadura após soja e milho, cultivares de milho para safra normal e safrinha, avaliação de resposta no rendimento de soja ao uso de inoculante e micronutrientes em áreas de brizantão e grama mato-grosso.
Há também a avaliação de cultivares de sorgo granífero e sorgo forrageiro, cultivares de aveias forrageiras e graníferas, plantas de cobertura e forrageiras de entressafra como milheto, sorgo, girassol, crotalária júncea e guandu. Além disso, com apoio da Embrapa e Coodetec, está sendo conduzido ensaio de cultivares de soja, visando identificação de materiais mais adequados àquela condição de solo e clima.
No plantio diretoAs pesquisas para recuperação ou reforma de áreas de pasto foram iniciadas naquela região na década de 80. O Iapar desenvolveu algumas tecnologias de recuperação de pastos através de sucessão de culturas anuais. Na época, as culturas usadas na recuperação foram algodão, mandioca, sorgo, amendoim, feijão e mamona, entre outras.
Segundo Oliveira, não havia interesse e demanda regional para pesquisa com a cultura da soja. A preocupação era a recuperação de áreas de pastagens com culturas que empregassem a mão-de-obra da região, principalmente através de algodão e mandioca.
Nos últimos dois anos o Instituto Agronômico voltou com as pesquisas, agora com estudos de recuperação de áreas de pastagens com rotação de culturas anuais sob plantio direto, onde as principais culturas são: soja, milho, feijão e sorgo-safrinha, plantas forrageiras de entressafra, como milheto, sorgo, crotalária, guandu, girassol e aveias graníferas e forrageiras.
No projeto de integração lavoura e pecuária, o Iapar tem parceria com empresas privadas como Zeneca do Brasil e Imasa-Máquinas Agrícolas; apoio das prefeituras de Umuarama e Cianorte, além da cooperativa Cocamar, de Maringá. Os trabalhos de pesquisa estão localizados em Umuarama, Cianorte, Paranavaí e Querência do Norte.IaparProteçãoSoja com palhada de aveia na cobertura: produção de 6 t/ha de matéria secaCláudia Barberato





