"De fevereiro a maio plantamos 18 mil pés em nove alqueires (43 ha) e o sonho é chegar em 30 alqueires (72 ha), dez para cada família", diz Carlos Kamiguchi
"De fevereiro a maio plantamos 18 mil pés em nove alqueires (43 ha) e o sonho é chegar em 30 alqueires (72 ha), dez para cada família", diz Carlos Kamiguchi | Foto: Saulo Ohara



Como o nome deixa claro, Mauá da Serra fica a mil metros de altitude e tem um clima mais ameno do que a grande maioria das cidades do Norte do Paraná, bem como uma maior tendência a sofrer com geadas no inverno. A cultura mais tradicional na região são os grãos, mas o risco para os cereais nos meses de frio e a maior rentabilidade da laranja por hectare fez com que parte dos agricultores destinassem parte das terras para a citricultura, com o apoio da Integrada Cooperativa Agroindustrial.

São cinco os cooperados que começaram a plantar mudas de laranja, inicialmente em pouco mais de 180 hectares (ha). Um deles é Carlos Tsuyoshi Kamiguchi, que trabalha em uma propriedade de 290 hectares, divida por igual com mais dois familiares. "De fevereiro a maio plantamos 18 mil pés em nove alqueires (43 ha) e o sonho é chegar em 30 alqueires (72 ha), dez para cada família", diz.

Ele conta que considera o mercado da laranja mais promissor, pela redução da área plantada nos Estados Unidos, e menos incerto do que o de grãos. "Planto soja e milho no verão, mas o trigo e a aveia no inverno não trazem boa rentabilidade e têm muitos riscos, pelas geadas. E, como é área de altitude, não adianta plantar milho safrinha", diz Kamiguchi.

Na parceria com a cooperativa, o agricultor afirma que conseguiu contornar os custos com as mudas, que são de quase um terço de todo o investimento. "O pagamento será só quando começar a produzir, será convertido em laranjas e deve durar uns três ou quatro anos", explica. Ainda, o grupo associativo oferecerá o suporte técnico e a garantia de absorver toda a produção.

Também novo na citricultura, o produtor Sergio Kasutushi Higashibara já encerrou o plantio de mudas de laranja em um quinto dos 121 ha da área que pretende destinar a cultura em até três anos. "Vou dizer se acertei na escolha e, se o mercado estiver bom, quero ir para 100 alqueires (242 ha). Então, poderei ser um grande produtor de laranja, porque, com 150 alqueires (363 ha) de soja, não tenho o bastante para pagar todas as atualizações de maquinário, GPS e óleo que dizem que precisa para não ficar defasado", afirma.

Não ter que se preocupar em procurar compradores para a produção também é uma das vantagens apontadas pelo agricultor, já que a produção vai para a cooperativa. A maior dificuldade, diz Higashibara, é se acostumar com a necessidade intensiva de funcionários e com a legislação trabalhista. "As pessoas que já cultivam laranja dizem que a rentabilidade de um alqueire de laranja pode chegar a dez de soja. Se for bom assim, dá para ter uma relação muito boa com a mão de obra."

GEADA BEM-VINDA
Se para os cereais a geada ameaça a produtividade, para a laranja funciona como indutor de desenvolvimento. "A laranjeira precisa de estresse climático, como seca ou geada, para a floração. Como em Mauá da Serra o frio vem em ondas, não é permanente, não vai afetar a produtividade", diz o gerente industrial da Integrada, Paulo Rizzo.

A temperatura mais amena ao longo do ano deve, contudo, retardar o crescimento das plantas, o que é considerado normal. "Esse clima permitirá uma colheita mais tardia do que em outras regiões, o que permitirá que a indústria alongue a safra para ter frutas até fevereiro", explica Rizzo.

O projeto ainda poderá receber novos investimentos no futuro. Isso porque a Integrada planeja ampliar a produção da fábrica, que hoje passa de 8 mil toneladas de suco ao ano.

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