Cultivo será reduzido novamente
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sexta-feira, 24 de outubro de 1997
Cristina Côrtes 
ReduçãoO arroz ainda é cultura de subsistência no Paraná, sem investimentos em tecnologia pelos produtoresCultura de alta rentabilidade mas também de alto risco, o arroz vem diminuindo ano a ano a área plantada no Paraná, de acordo com levantamentos feitos nos últimos quinze anos pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).
Em plena época de plantio, que vai de outubro a dezembro, a previsão é que se plante este ano 72 mil hectares (ha) de arroz de sequeiro, esperando uma produção de 114 a 129 mil toneladas. No ano passado a área cultivada foi de 80 mil ha. A área de arroz irrigado deve ficar em 14 mil ha este ano (em 96 foi 16,3 mil ha) para uma produção de 57 a 63 mil toneladas. A produção prevista não representa quase nada para um consumo estimado em 670 a 700 mil toneladas/ano de arroz em casca pelos paranaenses.
A produtividade média de arroz de sequeiro no Estado tem variado de 1400 a 1600 quilos/ha. Segundo a agronôma do Deral, Margoret Demarchi, a cultura não é muito desenvolvida no Estado por falta de tradição e de sua alta sensibilidade ao déficit hídrico. Os produtores preferem plantar comercialmente outros grãos e o arroz é cultivado apenas como cultura de subsistência, sem investimentos em tecnologia, como qualidade de sementes e outros insumos, comenta.
RecomendaçõesPara o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Sentaro Shioga, uma das restrições ao desenvolvimento da cultura no Estado é a falta de sementes recomendadas pela pesquisa.O produtor não compra sementes por que não tem e as empresas da área de sementes não trabalham com arroz porque os produtores não compram, comenta o pesquisador. Este círculo de causa e efeito acaba fazendo com que a cultura não se firme como uma atividade rentável no Estado.
A pesquisa tem desenvolvido cultivares adaptadas para a região e com boa produtividade, mas são utilizadas por poucos produtores, ora pela dificuldade de serem encontradas ora por falta de interesse mesmo de quem vai plantar. Ás vezes, os produtores acabam plantando variedades recomendadas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que não são adaptadas para as nossas condições, por falta de opções, diz Shioga.
As regiões mais tradicionais em arroz irrigado são as áreas próximas de Umuarama e Paranavaí. As variedades recomendadas para o arroz irrigado no Estado são o Metica 1, Oryzica 1, Iapar 58, Br Irga 409 e 410, Cica 8 e Cica 9. Para o sequeiro, as variedades são o Iapar 9, 62, 63, 64, IAC 164, entrando também outras que são plantadas em Goiás.
Sucesso na ChinaA variedade de arroz de sequeiro Iapar 9, uma das primeiras a serem lançadas pelo Iapar em 83, apresenta bom comportamento em outros estados como Bahia e Minas Gerais, e agora está apresentando excelentes resultados na China.
A notícia foi divulgada recentemente pela Secretaria de Ciência e Tecnologia que tomou conhecimento do fato através da revista Economic Daily que dá como fontes órgãos do governo chinês e jornais chineses.
Esta variedade chegou até os chineses a partir da Eco 92, quando o governo brasileiro presenteou o Premier chinês Li Peng com pacotes de sementes de produtos brasileiros, entre eles as sementes da variedade desenvolvida pelo Iapar. Plantada durante três anos, em 20 províncias, a Iapar 9 teve avaliação positiva dos técnicos chineses, apresentando boa qualidade de grão, resistência à seca, doenças e pragas; resistência à esterelidade, fácil adaptação a ampla região do Norte da China e alto retorno.
O pesquisador Nelson Salim Abbud, considerado pai da variedade, disse que a Iapar 9 tem realmente uma ampla adaptação, mas que ficou surpreendido com o fato dela apresentar resistência à doenças e pragas na Chinam onde o problema é bem mais grave do que no Brasil.
Segundo a Secretaria de Ciência e Tecnologia, a variedade brasileira é muito mais do que um material produtivo e resistente. Pela sua fácil adaptação, a Iapar 9 pode representar uma saída para produção de arroz em áreas não irrigadas que podiam ser utilizadas para arroz de sequeiro.


