EficiênciaErvilhaca-peluda é uma leguminosa de bom crescimento e eficiente coberturaOs produtores que adotam ou querem adotar o cultivo de adubos verdes em suas propriedades devem estar cientes de que esta prática faz parte de um sistema integrado de manejo do solo e da água que envolve várias outras técnicas. ‘‘A adubação verde sozinha não dá sustentabilidade à atividade’’, destaca o pesquisador Ademir Calegari, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
A viabilidade sócio-econômica e ecológica da adubação verde está atrelada ao sistema de rotação de culturas, que é o caminho para se chegar ao plantio direto. Atualmente, 40% da área agricultável do Paraná já estão com o sistema de plantio direto implantado. Segundo Calegari, depois de quatro a cinco anos de plantio direto, a redução de custo com adubação de fosfatados chega a 50%.
‘‘E o crescimento da produtividade dos grãos no Estado pode ser atribuído, em grande parte, à adubação verde’’, completa.
Calculou-se que no ano passado a área cultivada com plantas de cobertura foi superior a 800 mil ha, bastante significativa se comparada com os 6 milhões de ha agricultáveis no Estado na safra de verão. A tendência para este ano é aumentar estas áreas.
Warren NabucoTremoço-branco consorciado: suporta bem o calor e é indicado para a região Norte do Estado
BenefíciosAlém da melhoria e conservação do solo e da matéria orgânica, as plantas utilizadas como adubo verde promovem consideráveis aumentos de rendimento nas culturas subsequentes. Isto acontece devido ao aporte de nitrogênio ao sistema. Calcula-se que entre 80 e 120 quilos de nitrogênio sejam liberados por ha/ano nas áreas com adubação verde.
O incremento de matéria orgânica favorece a macro, a meso e a micro faunas e a flora do solo, proporcionando o equilíbrio de suas propriedades físicas e químicas. Várias espécies de adubos verdes contribnuem também para a diminuição de infestação de invasoras, reduzindo assim o custo de produção das culturas de verão.
Outra importante forma de utilização das espécies de inverno é seu emprego como forragem, nas formas de pastejo direto, feno ou silagem, em consórcio ou não com outras espécies. Neste caso, as leguminosas como ervilhaca ou ervilha forrageira são as preferidas por apresentarem maior teor de proteínas em seus tecidos, o que vai enriquecer a qualidade da forragem.
ConsórciosÉ crescente o uso de consórcios de adubos verdes para seu melhor aproveitamento, principalmente nas regiões mais quentes do Estado. Segundo o pesquisador, quando se planta leguminosas (tremoço, ervilhaca, ervilha forrageira) ou crucíferas (nabo forrageiro), após o manejo estas espécies apresentam uma relação carbono-nitrogênio baixa. Nestes casos o ideal é consorciar com gramíneas como aveia preta e centeio, entre outras.
Plantio de abacaxi e citrus na Bolívia, consorciado com a leguminosa Arachis pintoy, da familia do amendoim. Está sendo pesquisado pelo Iapar
Calegari explica que, quando a relação carbono-nitrogênio baixa, a massa verde se decompõe rapidamente, não oferecendo uma boa estabilidade de cobertura por um tempo maior. ‘‘Um dos objetivos essenciais dentro do sistema de plantio direto é fazer com que a cobertura morta permaneça um bom tempo sobre o solo’’, completa. As gramíneas, além de oferecerem uma boa relação carbono-nitrogênio, apresentam também celulose, hemicelulose e liguinina que dá uma maior resistência à massa verde.
Normalmente, as espécies tem um ciclo de quatro meses, e é muito importante um bom manejo da planta para conseguir um benefício mais completo. Na escolha da espécie a ser utilizada, o produtor deve levar em consideração seu sistema de produção, os tipos de cultivos que desenvolve, as características de clima e solo onde está localizada a propriedade, época de plantio das lavouras posteriores. ‘‘É fundamental um bom diagnóstico da propriedade, para saber que tipo de benefício se deseja e escolhar a espécie certa’’, recomenda Calegari.
Outra recomendação do pesquisador é para que o produtor não transforme a adubação verde numa monocultura, plantando ano após ano a mesma espécie, porque podem surgir problemas de pragas e não se alcançar o benefício que se espera.

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