Melhorar produtividade e reduzir custos. Este é o grande desafio dos produtores em qualquer atividade, seja no plantio de grãos, hortaliças, ou na área de criações. Para responder às necessidades de maior produtividade a custo menor em olerícolas, pesquisadores da Embrapa Hortaliças estão estudando novos sistemas de cultivo.
Para algumas espécies e dependendo das condições topográficas da área o cultivo mínimo pode ser uma excelente alternativa. Segundo o pesquisador da Embrapa Hortaliças, Leonardo de Brito Giordano, esta tecnologia não deve ser generalizada para qualquer cultivo, mas melhora as condições de solos que tem problemas de erosão e reduz custos com mecanização e adubação.
Os resultados dos experimentos com ervilhas foram bons, e tem produtores já utilizando a tecnologia em plantios de tomate para industrialização; em repolho na região do Distrito Federal e de cebola em Santa Catarina.
ArquivoPossibilidadeO tomate para industrialização é outra espécie que pode ter bom desenvolvimento com a nova tecnologiaNovidadeO uso do cultivo mínimo na olericultura ainda é muito pouco difundido, existindo poucos trabalhos de pesquisa na área. Recentemente, no 6º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, realizado em Brasília de 16 a 20 de junho, o tema foi discutido entre pesquisadores e produtores. Leonardo Giordano prefere usar o termo cultivo mínimo em hortaliças do que plantio direto. Ele explica que ‘‘no sistema de plantio direto não há nenhum revolvimento do solo, e no caso de hortaliças, há necessidade de revolver uma pequena faixa próxima do local de semeadura, para aplicação do adubo’’.
Em cebola existem alguns trabalhos envolvendo a adaptação de máquinas para implementar o cultivo mínimo, utilizando-se mudas transplantadas. ‘‘A adoção do cultivo mínimo na olericultura deve ser feita com cuidado em virtude da necessidade de maiores estudos envolvendo vários aspectos’’, comenta Leonardo.
Entre estes aspectos, ele destaca a identificação de espécies mais adaptadas para este tipo de cultivo; o desenvolvimento de novas cultivares melhoradas específicamente para o uso desta tecnologia; herbicidas mais indicados (seletividade, eficiência e período residual); manejo ideal de cobertura morta e dos restos culturais para cada espécie; rotação de culturas, aplicação de adubos, tipo de irrigação e modo de colheita.
Principais espéciesAs espécies com mais potencial para uso desse sistema de cultivo são: cebola, tomate para processamento, abóbora, melão, melancia, pepino para pickles, maxixe, quiabo e repolho. O pesquisador acredita que a longo prazo esses cultivos podem ter sua produtividade melhorada com a adoção do cultivo mínimo.
‘‘Há cinco anos trabalhamos na nossa área experimental com ervilha, e os resultados são muito bons’’. A palhada utilizada vem do plantio de arroz ou milho que é feito antes da ervilha. ‘‘Para outras culturas, ainda faltam pesquisas para definir qual seria o melhor plantio de adubação verde para fornecer a palhada’’, comenta Leonardo.
Na região do cerrado e outras áreas, onde o solo é fraco, essa prática poderia resolver vários problemas, economizando no uso de máquinas e beneficiando a estrutura do solo. ‘‘No cerrado temos que arar, gradear e em algumas áreas até levantar canteiros para o cultivo de hortaliças, e estas práticas prejudicam muito o solo que já tem suas deficiências naturais’’.
Existem restrições para algumas espécies de olerícolas, como a batata, porque a palhada dificultaria algumas operações necessárias como a amontoa. Com relação à aplicação de adubação de cobertura, uma exigência da maioria das hortaliças, o pesquisador diz que não tem problema.
Nas discussões realizadas em Brasília durante o recente Encontro Nacional de Plantio Direto, produtores e pesquisadores da área de hortaliças foram unânimes nas conclusões com relação à necessidade urgente de concentrar esforços, seja nas universidades ou nas instituições de pesquisa, ensino e extensão, de gerar resultados e treinar técnicos para incrementar o uso do cultivo mínimo em olericultura.
As pesquisas deveriam enfocar os seguintes aspectos: manejo integrado de pragas e doenças, adaptação e/ou desenvolvimento de máquinas para semeio e transplantes, rotação de cultura, alelopatia, herbicidas, manejo da palha, manejo dos restos culturais, distribuição e localização de adubo, compactação do solo, fertirrigação e sucessão de cultivos.Produtores de Santa Catarina já estão usando cultivo mínimo para o plantio de cebolaCristina Côrtes

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