Plantas medicinais e condimentares podem ser alternativa de complementação de renda para famílias carentes de Londrina. A proposta é da Secretaria Especial da Mulher, do município de Londrina, que está desenvolvendo o Projeto de Cultivo de Plantas Medicinais e Condimentares. O trabalho pretende mostrar que pequenos espaços em quintais podem ser destinados à produção dessas plantas.
‘‘É uma atividade de fácil manejo, baixo custo e que pode dar retorno econômico’’, explica o engenheiro agrônomo Guilherme Casanova Júnior, responsável pelo projeto. Além do consumo doméstico, as plantas medicinais e condimentares podem ser comercializadas in natura, secas ou em forma de produtos artesanais, como travesseiros de ervas, velas aromáticas e azeites condimentados.
Originário da Ásia, o ginkgo biloba age na circulação sanguíneaAs técnicas de cultivo, colheita, secagem, armazenamento e de produção artesanal estão sendo repassadas a mulheres de bairros pobres de Londrina, através de cursos, realizados no Centro de Oficinas da Mulher. Para isso, foi instalado no local um horto com mais de 100 espécies, onde os participantes dos cursos poderão identificar cada planta e suas principais características. ‘‘O projeto está em fase inicial. A pretensão é ter mais de 300 espécies de plantas úteis e também tóxicas’’, afirma Casanova.
RecomendaçõesTer um canteiro com plantas medicinais e condimentares em casa não é difícil, basta seguir algumas recomendações. A primeira delas é a escolha da área a ser cultivada. O local deve estar livre de poluição e de produtos tóxicos. ‘‘Ou seja, os canteiros devem estar longe de lixo, fossa, esgoto, fumaça de carro e produtos de limpeza’’, exemplifica. O solo deve ser preparado de acordo com as exigências das espécies a serem cultivadas. Mas, no geral, a recomendação é limpar o terreno e utilizar adubo orgânico, que pode ser esterco animal ou compostagem, que é produzida a partir da acumulação de folhas e cascas.
Utilizada em saladas, a ornamental capuchinha é fonte de vitamina CO plantio deve ser feito preferencialmente através de mudas, produzidas a partir de estacas ou sementes. Casanova lembra que, para se desenvolverem, as mudas precisam estar ao abrigo do sol. As mudas devem ser cultivadas em saquinhos ou copinhos plásticos e irrigadas duas vezes ao dia. Quando tiverem germinado e produzido as primeiras folhas, as mudas podem ser transplantadas para os terrenos já preparados.
As plantas rasteiras devem ser cultivadas em canteiros e as arbustivas em covas largas e fundas. A irrigação deve ser diária. ‘‘É importante observar também a incidência do sol. Existem plantas que podem receber luz solar diretamente e outras não’’, diz.
Secagem pode ser feita em bandejas com telaCultivo orgânicoO controle de pragas é feito de forma natural, através do cultivo de plantas que têm ação repelente, como a arruda e a capuchinha, ou da pulverização de fumo ou urtiga macerados. Outra recomendação é o cultivo da sálvia nos canteiros. ‘‘A sálvia ajuda a melhorar a qualidade das plantas que estão próximas a ela’’, explica. Casanova enfatiza que o cultivo de plantas medicinais e condimentares deve ser orgânico. ‘‘Tudo deve ser feito sem contaminação química’’, enfatiza.
Outros cuidados referem-se à colheita. As recomendações variam conforme a parte da planta a ser utilizada. As flores devem ser colhidas assim que se abrirem, e as raízes ao final de cada ciclo. Pouco antes do florescimento é a melhor época para colher as folhas. O clima deve estar seco e o melhor horário é após as dez horas, quando já não existem resquícios de orvalho.
Paulo WolfgangGuilherme Casanova Júnior: atividade pode dar retornos econômicosArruda: proteção natural contra as pragasA secagem é feita em ambiente de penumbra, seco, ventilado e livre de insetos. ‘‘A exposição ao sol facilita a deteorização dos princípios ativos’’, explica Casanova. O agrônomo recomenda que as folhas e flores não sejam lavadas antes da secagem. O ideal é separar as folhas e flores doentes, sujas, mofadas ou com insetos e descartá-las. Os produtos devem permanecer em bandejas com tela, em papelão ou pano.
As plantas secas podem ser comercializadas ou transformadas em produtos artesanais. Durante o curso, os participantes aprendem a fabricar velas, travesseiros de ervas, azeites e vinagres condimentados. ‘‘São produtos fáceis de fazer e que podem agregar renda às famílias carentes’’, explica Casanova.AprendizadoNo horto, mulheres aprendem a reconhecer e utilizar cada plantaJosiane Schulz

mockup