Cultivo de tomate orgânico em Vila Rural
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sexta-feira, 27 de julho de 2001
Sid Sauer De Campo Mourão 
Morador há quatro anos na vila rural Sol Nascente, em Araruna (19 km ao norte de Campo Mourão), José Carlos de Freitas, 42, vem se destacando com a produção de tomates sem agrotóxicos. São 400 pés de tomates que vêm lhe garantindo uma renda anual de R$ 1,3 mil. Freitas ficou tão contente com os resultados da produção que nem a geada do mês passado, que destruiu a plantação prematuramente, o desanimou. Vou plantar mais, anuncia.
Renda extra Antes de morar na vila rural, Freitas residia em uma cháraca e tinha experiência na produção de tomates. Mas era puro veneno, lembra. O plantio sem o uso de agrotóxicos começou há quase três anos, quando a Emater de Araruna realizou um curso de horticultura orgânica para os vileiros. Freitas, que trabalha à tarde em uma indústria da cidade, não pôde participar, mas a mulher dele, Lúcia, aprendeu a técnica e repassou para o marido.
Cada pé vem produzindo, em média, quatro quilos de tomate, conta o vileiro. A venda da produção ele faz diretamente ao consumidor, de casa em casa. Cheguei a vender R$ 30 de tomate numa única manhã, diz. Nada mal para quem tem como renda principal um salário de R$ 354. Foi graças ao tomate orgânico, por exemplo, que Freitas conseguiu comprar uma geladeira e uma televisão. Para melhorar ainda mais a produção, ele já planeja um sistema de irrigação.
Os 5 mil metros quadrados do lote do agricultor também são divididos com a produção de quiabo, vagem, pepino, abóbora, mandioca, hortaliças e milho. O forte da minha produção é o cultivo de tomate, que garante uma boa renda extra com a venda nos mercados do próprio município, diz.
SimplicidadePara conseguir a produção de tomate sem agrotóxico, Freitas usou uma receita simples: um composto chamado Super-Magro, que é preparado com adubo orgânico, cinza, leite, caldo-de-cana, sulfato de cobre e cobalto, entre outras substâncias. O produto demora cerca de 50 dias para poder ser usado e Freitas garante que não oferece nenhum risco aos consumidores. O tomate pode ser comido na própria lavoura.
Para preparar o Super-Magro, Freitas se associou com um vizinho que usa o composto numa plantação de café. Além de produzir um tomate livre de agrotóxicos, Freitas comemora a redução dos custos de produção. Assim fica bem mais barato. Com R$ 20, ele preparou 125 litros do produto natural, o que é suficiente para muito tempo. Usamos 400ml para cada 20 litros de água, explica o vileiro. A aplicação é feita duas vezes por semana.
Em comparação com o sistema tradicional, segundo Freitas, a única desvantagem é que o sistema orgânico dá mais trabalho. Mas ele não reclama. Tanto é assim que também plantou 300 pés de quiabo com o mesmo procedimento. O quiabo estava bonito, mas a geada destruiu tudo, lamenta. Freitas, porém, já se prepara para começar tudo de novo. Gostei do sistema orgânico. Não quero mais saber de veneno em minha propriedade.


