Morador há quatro anos na vila rural Sol Nascente, em Araruna (19 km ao norte de Campo Mourão), José Carlos de Freitas, 42, vem se destacando com a produção de tomates sem agrotóxicos. São 400 pés de tomates que vêm lhe garantindo uma renda anual de R$ 1,3 mil. Freitas ficou tão contente com os resultados da produção que nem a geada do mês passado, que destruiu a plantação prematuramente, o desanimou. ‘‘Vou plantar mais’’, anuncia.
Renda extra Antes de morar na vila rural, Freitas residia em uma cháraca e tinha experiência na produção de tomates. ‘‘Mas era puro veneno’’, lembra. O plantio sem o uso de agrotóxicos começou há quase três anos, quando a Emater de Araruna realizou um curso de horticultura orgânica para os vileiros. Freitas, que trabalha à tarde em uma indústria da cidade, não pôde participar, mas a mulher dele, Lúcia, aprendeu a técnica e repassou para o marido.
‘‘Cada pé vem produzindo, em média, quatro quilos de tomate’’, conta o vileiro. A venda da produção ele faz diretamente ao consumidor, de casa em casa. ‘‘Cheguei a vender R$ 30 de tomate numa única manh㒒, diz. Nada mal para quem tem como renda principal um salário de R$ 354. Foi graças ao tomate orgânico, por exemplo, que Freitas conseguiu comprar uma geladeira e uma televisão. Para melhorar ainda mais a produção, ele já planeja um sistema de irrigação.
Os 5 mil metros quadrados do lote do agricultor também são divididos com a produção de quiabo, vagem, pepino, abóbora, mandioca, hortaliças e milho. ‘‘O forte da minha produção é o cultivo de tomate, que garante uma boa renda extra com a venda nos mercados do próprio município’’, diz.
SimplicidadePara conseguir a produção de tomate sem agrotóxico, Freitas usou uma receita simples: um composto chamado ‘‘Super-Magro’’, que é preparado com adubo orgânico, cinza, leite, caldo-de-cana, sulfato de cobre e cobalto, entre outras substâncias. O produto demora cerca de 50 dias para poder ser usado e Freitas garante que não oferece nenhum risco aos consumidores. ‘‘O tomate pode ser comido na própria lavoura’’.
Para preparar o ‘‘Super-Magro’’, Freitas se associou com um vizinho que usa o composto numa plantação de café. Além de produzir um tomate livre de agrotóxicos, Freitas comemora a redução dos custos de produção. ‘‘Assim fica bem mais barato’’. Com R$ 20, ele preparou 125 litros do produto natural, o que é suficiente para muito tempo. ‘‘Usamos 400ml para cada 20 litros de água’’, explica o vileiro. A aplicação é feita duas vezes por semana.
Em comparação com o sistema tradicional, segundo Freitas, a única desvantagem é que o sistema orgânico ‘‘dá mais trabalho’’. Mas ele não reclama. Tanto é assim que também plantou 300 pés de quiabo com o mesmo procedimento. ‘‘O quiabo estava bonito, mas a geada destruiu tudo’’, lamenta. Freitas, porém, já se prepara para começar tudo de novo. ‘‘Gostei do sistema orgânico. Não quero mais saber de veneno em minha propriedade’’.

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