No Paraná a seringueira está entre as opções do SAF; o consórcio com o café está entre os destaques do trabalho do Iapar
No Paraná a seringueira está entre as opções do SAF; o consórcio com o café está entre os destaques do trabalho do Iapar | Foto: Edno Ferreira da Silva/Iapar/Divulgação



Os SAFs (sistemas agroflorestais) são uma realidade no Paraná e já provaram todo seu potencial no agronegócio. Mas quando se trata de pequenas propriedades, a técnica tem muito para evoluir e beneficiar os produtores, principalmente quando se trata do cultivo de seringueiras. O raio-x da atividade será apresentada neste domingo (6) no Programa MultiAgro, às 8 horas, com apresentação de Luly Barbero. Ela visitou o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que possui um trabalho interessante com as árvores.

O pesquisador do Programa de Cultivos Florestais do Instituto, André Ramos, explica que o Paraná e o Brasil têm um potencial enorme no cultivo de seringueiras. Segundo ele, atualmente o País produz metade da borracha utilizada por aqui e que a outra parte é importada. Os maiores produtores mundiais estão no Sudeste da Ásia, que oferecem uma borracha de qualidade e, claro, conseguem uma mão de obra barata. "Temos um potencial para elevar a produtividade, reduzir os custos, mas tudo isso precisa ser trabalhado na agricultura familiar, pois como a mecanização é difícil, a mão de obra familiar é que fica interessante e viável."

Ramos comenta que no Paraná a cultura ainda é pequena, em torno de 1,5 mil hectares plantados principalmente em Nova Esperança, Paranapoema e Santo Inácio, sendo a maioria com foco no trabalho convencional. "O pequeno e médio conseguem trabalhar sozinhos numa área de quatro a cinco hectares de forma bem tranquila, economicamente viável. Estamos focando em clones (materiais genéticos) que sejam mais produtivos que o RRIM 600, originário da Ásia", complementa. Estudos do Iapar indicam que os clones IRCA130, IAC41, IAC35 e PB235 são boas alternativas potenciais para diversificação de plantios no Estado. Atualmente, a produtividade está em torno de 1,5 mil quilos de borracha seca por hectare/ano.

Outro trabalho forte do programa do Iapar é o consórcio de seringueira com café no Arenito Caiuá, que resultou em diminuição média de 29% do tempo para início de produção de borracha em relação a plantios puros de seringueira e aumento da sobrevida produtiva dos cafeeiros. Uma alternativa bem bacana, fortalecendo as duas culturas no SAF. "Os benefício ambientais são grandes, inclusive gerando um microclima, além da proteção climática das copas do café. Aqui no Paraná usa-se a seringueira com café, mas outras espécies também se dão bem com a árvore, como cacau, abacaxi e palmito". "Outro ponto positivo é que consegue-se fazer a sangria da seringueira em cinco anos, ao invés de sete anos do cultivo convencional". Por fim, o assistente de pesquisa do Iapar, João Gonçalves, ainda apresenta no MultiAgro toda a técnica para fazer a sangria das árvores.

O MultiAgro vai ao ar às 8 horas na MultiTV, canais 20 e 520 da NET, com reprises durante toda a semana.

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