Cultivo de morango mais eficiente
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sábado, 01 de dezembro de 2012
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
Altamente tecnificado, o cultivo de morango se profissionaliza no Paraná graças ao investimento constante dos produtores. O aprimoramento tecnológico, com uso de mudas importadas de melhor qualidade, programas nutricionais e sistema de irrigação por gotejamento têm contribuído para o aumento da produtividade no Estado. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostram que entre 1999 e 2010, o incremento da produtividade foi de 44%.
O sistema convencional é ainda responsável pela maior parte da produção nacional, mas, de acordo com a professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maria Aparecida Zawadneak, outros sistemas de produção estão sendo implantados no Estado, como o semi-hidropônico, o orgânico e a produção integrada. A professora garante que somente o uso de mudas certificadas já proporciona um aumento significativo de produtividade. ''Mudas de variedades mais antigas produzem, em média 700 gramas de morango por pé, enquanto as mudas importadas com tecnologia moderna chegam a produzir até 1,4 mil gramas por pé'', revela.
Atividade tradicionalmente dominada por agricultores familiares, a produção de morango ocupa 535 hectares nos campos paranaenses. Segundo o Deral, a média de área cultivada por produtor é de 0,3 hectares. O morangueiro é uma alternativa para o cultivo de hortaliças e frutas e proporciona diversificação de renda nas propriedades rurais. O fruto gera fonte de renda durante o ano e promove a manutenção de agricultores no campo. ''Uma forte característica do cultivo do morango é impulsionar economicamente toda uma cadeia de produção, onde os setores de insumos, embalagem, frigorificação, processamento, transporte, atacado e varejo são favorecidos'', avalia Maria Aparecida.
Levantamento feito em 2010 indica que o Paraná possui aproximadamente 1,5 mil produtores de morango, responsáveis por uma produção de 14,3 mil toneladas. O principal polo produtor é a Região Metropolitana de Curitiba, que reponde por 39,83% desse total. Os municípios de São José dos Pinhais e Araucária produzem 63% da produção de morango na região. A região de Jacarezinho é responsável por 23,37% do total estadual, com destaque para os municípios de Jaboti, Pinhalão e Santana do Itararé, que juntos produzem 82% do total regional.
O engenheiro agrônomo do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Pinhalão, Edson Roberto Vaz Ronque, afirma que o surgimento de novas variedades possibilita a produção do fruto durante quase todo o ano. Tradicionalmente, o morango é cultivado em março, começa a produzir em maio e encerra a colheita em dezembro. ''Esse ano foi atípico na região e a maior parte da produção foi finalizada ainda em novembro'', afirma. Ronque explica que a qualidade das mudas usadas e o clima não contribuíram, tendo em vista a ocorrência de períodos concentrados de muita chuva, que favoreceram a ocorrência de fungos e pragas. ''No próximo ano, com certeza teremos aumento no uso de mudas importadas, pois elas possuem maior sanidade'', estima.
Mesmo com as intempéries, a produção ficou dentro do esperado para o ano e os preços se mantiveram favoráveis ao produtor, observa Ronque. A safra da região de Pinhalão é comercializada majoritariamente no Ceasa de Londrina, mas os produtores também contam com a opção industrial. Na região, três indústrias de polpa adquirem cerca de 300 toneladas de morango por ano, volume irrisório em relação à quantidade da fruta produzida. O agrônomo recomenda a diversificação da atividade para otimizar a área produtiva. Apesar do alto custo de implantação e produção, que chega a R$ 100 mil anuais por hectare, a rentabilidade também é alta, com lucro anual entre R$ 35 mil e R$ 45 mil por hectare, afirma Ronque.



