Depois de criar cinco filhos, dar aulas durante 25 anos e se aposentar, agora a agricultora Nathalina Kimiko Takemura pode se dedicar exclusivamente à produção de flores. O cultivo, na verdade, já tem 30 anos, mas foi nos últimos tempos que ela pôde se dedicar integralmente à atividade.
A produção de flores é feita em sete dos 12 hectares da chácara que a família tem em Londrina. A atividade sustenta parte do orçamento de três famílias e mantém cinco empregados fixos, além da mão-de-obra temporária na época de maior pico de produção: datas comemorativas como Dia das Mães, Finados e Dia dos Pais.
Além de Nathalina, o marido Seitei Takemura, o filho Márcio e a filha Rosângela trabalham diretamente na atividade. O trabalho não consiste só em plantar, colher e comercializar as flores. A família montou também uma loja para venda direta ao consumidor e se divide participando de feiras de quinta a domingo em vários pontos da cidade. Mais duas filhas de Nathalina moram em São Paulo e outro filho está no Japão.
Nathalina carrega no sangue o amor pela agricultura, atividade que sempre esteve presente em sua vida, como ela faz questão de frisar. O pai, vindo do Japão, foi produtor de café no interior de São Paulo e, mais tarde, no Paraná. Ela viveu parte da infância na zona rural. Mais tarde, quando foi preciso, veio morar na cidade para estudar. Nos finais de semana estava sempre na zona rural para ajudar sua família. Casada, com o também agricultor Seitei Takemura, Nathalina passou a trabalhar com hortaliças. ''Não deu certo, a concorrência era grande e preferimos apostar nas flores'', conta.
Crisântemos, gérberas, gerânios, lírios, dálias, entre outras variedades de flores, cultivadas para vaso ou corte, fazem a alegria também dos netos de Nathalina que na época de férias ''ajudam'' a avó. A maior produção é de crisântemos. Este ano, por exemplo, serão 30 mil vasos para atender a demanda do Dia de Finados, em novembro. A produção para abastecer a demanda do Dia das Mães começa em janeiro e fevereiro.
Neste período até os netos Cristian, 9 anos, e Vinícius, 8 anos, passam o dia na chácara da avó envolvidos com o plantio em vasos. ''Aqui todo mundo ajuda,'' garante a agricultora, abrindo um largo sorriso. Ela não reclama da atividade: ''A produção não deixa ninguém rico, mas me possibilitou criar bem os meus cinco filhos. Todos estudaram e sempre vivemos bem.''
Uma das alternativas para garantir melhor renda foi a floricultura, montada há mais de 20 anos, para vender direto ao consumidor. Além disso, completa Nathalina, a loja foi a solução para evitar intermediários e trazer mais segurança para o negócio. Com a venda direta ao consumidor diminui a dependência da compra de atacadistas. ''Quem depende de intermediários nem sempre trabalha seguro.''
Para abastecer a loja, além de produção própria, a família Takemura compra outro tipos de plantas e flores que ainda não produzem. Mas Nathalina tem planos de ampliar o cultivo. Ela gostaria de plantar orquídeas. ''O cultivo não é difícil, mas é preciso ter dinheiro para investir'', afirma.

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