Qualidade no feijão do dia a dia é algo que o brasileiro prioriza. Já do lado do produtor, entregar um produto comercialmente de boa culinária, se converte em gratificação no momento da venda às cooperativas ou intermediários. Associar de forma equilibrada rentabilidade ao produtor, controle de doenças, proteção ao meio ambiente, qualidade comercial e sabor ao consumidor são desafios para os pesquisadores que produzem variedades da leguminosa.
O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), sem dúvida, é referência neste trabalho de desenvolver boa genética para as lavouras, com excelentes cultivares que são utilizadas em diversos estados e até em outros países da América do Sul. Em 2015, a entidade lançou quatro variedades, sendo três delas do tipo carioca e uma de feijão preto. Outro fator importante no qual a entidade bate na tecla atualmente é a precocidade. A cultivar IPR Curió, por exemplo, chega à fase de colheita em 72 dias. Em 35 anos deste trabalho, pesquisadores do instituto já lançaram 36 cultivares, sendo que 12 delas estão em franca produção de sementes por agricultores parceiros hoje.
A pesquisadora e líder do Programa Feijão do Iapar, Vânia Moda Cirino, relata que os produtores precisam aproveitar este momento de alta demanda pela leguminosa, e com as cultivares de ciclo mais curto é possível tirar duas safras de feijão em 150 dias. "E vale dizer que no Cerrado não se planta feijão em janeiro e fevereiro devido à mosca branca e os produtores paranaenses podem aproveitar este cenário com as variedades precoces. Outro ponto é que produtores conseguem uma nova fonte de renda no seu sistema de produção, antes, por exemplo, de plantar aveia ou trigo, sem deixar a terra parada", salienta.
Mais um fator importante é que a pesquisa precisa trabalhar com doenças que muitas vezes não têm controle químico eficiente. No caso do feijão, alguns exemplos são o crestamento bacteriano comum, murcha do curto bactério, murcha de Fusarium e mofo branco. "A única forma de controle nestes casos é por meio de genética, com os genes de resistência. Se isso não for trabalhado, teremos uma oscilação produtiva muito grande nas lavouras."
Entre todos os desafios, Vânia relata que a maior dificuldade da pesquisa ainda é criar variedades com bom feedback comercial e aceitação eficiente no mercado. "Temos variedades que às vezes são 20% a 30% mais produtivas, com boa resistência a doenças, mas sem muita qualidade comercial, acabam voltando para o programa para serem melhoradas. O agricultor precisa de informações técnicas para que possa fazer a escolha correta e o lucro dele aumente. Por isso essa combinação de fatores é tão necessária."

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