Os gastos com adubos representam 20% dos custo total da produção em uma lavoura de grãos. Diante da necessidade de se tornar competitivo para sobreviver na atividade, racionalizar o uso dos insumos torna-se fundamental para economizar, sem perder em produtividade. Por isso, é importante que o produtor faça seu planejamento de plantio com base na boa análise do solo. Conhecendo os diversos níveis de fertilidade da propriedade, ele pode adotar estratégias diferentes para cada área, utilizando os produtos apenas onde é necessário.
As informações são dos engenheiros agrônomos Nelson Harger, da Emater de Apucarana e Áureo Lantmann, da Embrapa Soja em Londrina. Nos dias 2 e 3 de agosto, eles participaram da 8 Expotécnica, em Sabáudia, demonstrando os resultados obtidos com a análise do solo da propriedade de Cláudio Dagostini, que sediou o evento.
Os dois integram o Projeto Grãos, desenvolvido conjuntamente por Iapar, Embrapa e Emater, que tem o objetivo de criar ou adaptar modelos produtivos que viabilizem a produção de grãos em pequenas e médias propriedades. O engenheiro agrônomo Antônio Odmar, da Emater de Sabáudia, também participou do evento demonstrando um experimento semelhante, mas com foco no monitoramento de doenças no trigo.
Fertilidade De acordo com Harger e Lantmann, o primeiro passo para racionalizar a utilização de insumos é fazer uma boa amostragem do solo, que seja representativa das diversas áreas da propriedade, considerando a topografia e o histórico de adubação de cada região. Também é importante realizar a análise das folhas, que demonstram com mais eficiência o estado nutricional das plantas.
Em seguida, eles recomendam levar os resultados para um técnico interpretar e indicar a melhor adubação. ''Não adianta fazer a análise corretamente e depois comprar um adubo inadequado'', disse Lantmann.
Para exemplificar o procedimento correto com relação à análise de fertilidade, eles dividiram a propriedade de Cláudio Dagostini em três talhões diversos. Quando as plantas estavam na fase de florescimento, foram colhidas folhas em 11 locais distintos, para analisar a nutrição e identificar a adubação necessária para os próximos anos.
Diferenças Para exemplificar as diferenças, os especialistas citaram a análise foliar de magnésio e nitrogênio. O terceiro talhão foi considerado o mais deficiente. A área apresentou nitrogênio na proporção de 46,8g/kg, índice classificado como limite pelos pesquisadores. A quantidade de magnésio também foi identificada como baixa, 2,80 g/kg. Na área, eles recomendaram melhorar a inoculação das sementes, para garantir maior aderência dos nutrientes.
No segundo talhão, o nitrogênio foi encontrado na proporção de 50,4g/kg e o magnésio, 3,66g/kg. ''Nessa área, foi necessária apenas a adubação de manutenção'', explicaram. O primeiro talhão, por sua vez, foi considerado o mais fértil, com 64,3 kg/kg de nitrogênio e 4,49 g/kg de magnésio. ''Essa parte recebeu apenas adubação com supersimples, no verão. Na próxima safra, os custos com insumos serão ainda mais reduzidos'', disse Nelson, lembrando que o alto índice de fertilidade é garantido pela realização do plantio direto.
Doenças do trigo Outro trabalho apresentado na Expotécnica foi o monitoramento das doenças do trigo. Através da análise do comportamento das plantas, o engenheiro agrônomo Antônio Bodnar, da Emater de Sabáudia, demonstrou que nem sempre é preciso fazer duas aplicações de fungicidas por safra, contrariando o comportamento recorrente entre 80% dos produtores. Segundo o agrônomo, o segredo para determinar a necessidade de uma segunda aplicação é acompanhar a lavoura de perto, identificando visualmente as áreas com problemas.
''As plantas mais suscetíveis devem receber maior atenção'', ensinou, lembrando que variedades diferentes necessitam de cuidados diversos. De acordo com Bodnar, o produtor que faz duas aplicações e obtém uma produtividade de 90 sacas por alqueire precisa investir o valor referente a 87 sacas/alqueire para bancar a produção. ''Não sobra nada'', analisou. Com uma aplicação, o custo seria de 80,15 sacas/alqueire.
Na área experimentada, foram plantadas 15 variedades diferentes de trigo. O engenheiro agrônomo constatou que 60% delas precisou de apenas uma aplicação, 20% não necessitou de fungicidas e apenas os 20% restantes exigiram a segunda aplicação do produto. ''Os dados comprovam que o número de aplicações pode ser reduzido'', afirmou.

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