O plantio direto necessita de três atribuições básicas para se manter eficiente: manutenção do solo com cobertura vegetal, rotação de cultura e redução na movimentação do solo. De acordo com Augusto Guilherme de Araújo, pesquisador da área de engenharia agrícola do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), esses critérios devem ser implantados para se ter uma boa cobertura de solo.
No caso da rotação de cultura, Araújo explica que o produtor não deve fazer sucessões contínuas, ou seja, não apenas soja no verão e milho no inverno. ''Somente o uso de duas culturas não é tão errado, principalmente quando se planta milho, que gera uma quantidade boa palhada. Porém, quando possível, é importante inserir outras culturas'', observa. Araújo indica cultivares que possuem maior potencial de produção de palha como aveia e milheto.
Araújo completa que o produtor também pode fazer combinações. Uma delas é o plantio de aveia consorciada com nabo forrageiro. ''A aveia produz bastante gramíneas e o nabo serve como um reciclador de nutrientes'', explica. O pesquisador do Iapar destaca que entende a decisão do agricultor de plantar apenas soja e milho, motivado pela alta rentabilidade que essas duas cultivares proporcionam, ''mas ele - produtor - deve destinar pelo menos 20% da área para fazer rotação'', observa.
Segundo Araújo, o produtor está bem atento às novidades do setor, principalmente no plantio consorciado com braquiária para uso da pecuária. ''Já tem bastante gente fazendo esse tipo de plantio no Estado'', completa.
O sistema e a pesquisa
Questionado sobre a demora na aprovação do sistema de plantio direto no Brasil durante o surgimento da tecnologia, Araújo sublinha que não houve resistência por parte do Iapar sobre a nova técnica. ''Logo que começamos a perceber a movimentação dos agricultores, a instituição iniciou os estudos'', completa. Segundo ele, naquela época já havia grupos ligados à comunidade científica que já aceitavam o sistema. ''Mas sempre há alguém contra'', argumenta Araújo. (R.M.)

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