O diferencial na rentabilidade do milho não depende apenas da aplicação de tecnologia de cultivo. Um sistema eficiente de armazenamento pode, além de uma melhor qualidade do grão, agregar mais valor ao produto. ''Temos que tratar as sementes como grãos especiais e não como commodities'', alerta o engenheiro agrônomo Flávio Antonio Lazzari, que é especialista na manutenção de sementes, grãos e alimentos.
Lazzari falou sobre os desafios da armazenagem de milho na Era da Identidade Preservada, durante o 2º Simpósio Nacional da Abimilho, em São Paulo (SP), na semana passada.
Segundo analistas de mercado, na produção de milho ou outros grãos como commodities não existe produto diferenciado. Todos produzem o mesmo tipo de grãos, adotam a mesma tecnologia e vendem pelo mesmo preço ditado pelo mercado: uma competição perfeita.
Mas a agricultura em todo o mundo, de acordo com Lazzari, vive uma nova tendência, a da rastreabilidade dos grãos, desde a escolha das sementes até o consumo final. Um produto separado, com identidade. Esse sistema de tratamento que já está bem estabelecido nos Estados Unidos e na Europa garante maior agregação de valor.
Grãos separados, limpos e secos num processamento específico - completa - têm melhorias tanto na qualidade física quanto nutricionais que garantem a preferência da indústria. ''Paga-se mais pelo produto diferenciado'', afirma.
Lazzari alerta para que não se confunda o produto de identidade preservada com a agricultura orgânica (que é também um tipo de identidade preservada). A técnica de produção pode ser a mesma da convencional, mas todo o processo deve seguir um protocolo. A armazenagem também precisa estar em separado, em silos menores. ''Se houver um grupo de produtores para encher aquele silo todos devem fazer parte de um documento, informando de onde vem o lote, a quantidade e os tratos culturais aplicados'', exemplifica.
O Brasil, de acordo com o especialista, enfrenta um déficit de armazéns. ''Temos o melhor de sistema de armazenagem no mundo, mas também temos as piores estruturas onde se perde por fungos insetos e umidade'', explica.
Ele lembra que as estruturas graneleiras criadas na década de 70 pelo boom da soja, previam a armazenagem de duas culturas: soja e trigo. ''O que fazer com isso?'', questiona.
O milho exige mais cuidados na armazenagem, pelo volume, facilidade de quebra dos grãos e poeira que produz, além do ataque de insetos. ''É preciso mais habilidade e estrutura de armazenagem de melhor qualidade''.
Assim, esse déficit de armazenagem, para Lazzari, leva a agricultura para uma ''terceira onda'', a da armazenagem na propriedade. ''O produtor precisa ter uma visão de futuro, em ações que lhe dê o máximo de flexibilidade, que lhe permita agregar mais valor à produção''. A estrutura de investimento, segundo ele, é maior, mas se recupera em pouco tempo com a agregação de valor permitida pela produção de grãos especiais.
Lazzari acredita que em 10 anos o número de armazéns espalhados pelas propriedades do Paraná aumente em 20% a 30%. ''Quem tem espírito empreendedor sai na frente. Há quem espere para ver, mas corre o risco de perder campo e inviabilizar a produção em pouco tempo'' sentencia.
Na sugestão do estudioso em conservação de grãos, o projeto ideal para um eficiente sistema de armazenagem de grãos prevê moegas pequenas, elevadores de boa capacidade, equipamentos eficientes de pré limpeza e silos pequenos (com capacidade entre 300 a 1 mil toneladas de grãos) com um sistema de seca-aeração muito bem dimensionados.
O agricultor tem que estar atento para os novos nichos de mercado que estão aparecendo, como o dos grãos especiais. Para isso, Lazzari orienta que o produtor procure conhecer a realidade e as inovações de outros países. ''Quem permanece na propriedade fica míope para o mercado externo'', afirma.
O professor finaliza dizendo: ''Com a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) vamos sofrer pressões que ainda não conhecemos''.

SERVIÇO:
Mais informações sobre o armazenamento e a conservação de grãos podem ser obtidas com o engenheiro agrônomo Flávio Lazzari pelo telefone (41) 361-1785 ou e-mail: [email protected]

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