O diretor da União Brasileira da Avicultura (Ubabef), Ricardo Santin, explica que tudo começa no aviário. ''As indústrias devem fornecer os pintainhos com registros de origem e procedência'', afirma. A partir daí, a responsabilidade é do criador, que tem que cumprir uma série de exigências para que seu produto consiga ser exportado. Santin destaca que tudo o que acontece na granja deve ser anotado, desde o número de animais, quantidade de água, alimentação até medicamentos utilizados.
O avicultor João Paulo Britto, integrado da Frangos Canção em Maringá, é um exemplo de que os produtores paranaenses se adequam a todos os padrões de exigências para a obtenção do selo. Com mais de 64 mil aves, divididas em dois barracões, o produtor buscou na tecnologia uma oportunidade de produzir de acordo com as normas sanitárias. Para não haver contaminação entre a saída e a chegada de um novo lote, o avicultor deve respeitar um vazio sanitário de 15 dias, período em que ele realiza todo o processo de desinfecção do aviário. Por meio de um sistema de lança-chamas, todas as penas e outros resíduos são queimados para não contaminar o próximo lote. ''Depois de feito isso, passamos uma máquina rotativa que revolve a cama para eliminar pequenos torrões que ficam endurecidos como se fossem pedras'', sublinha.
O avicultor explica que a passagem desse equipamento é importante porque os torrões podem causar calos ou até mesmo machucar os pés dos animais. ''Se o ferimento não for cuidado, há a possibilidade de ocorrer até mesmo uma infecção'', observa o produtor. Santin da Ubabef sublinha que o estado de conservação da cama é fundamental para manter uma produção de qualidade. Segundo ele, as indústrias exigem esses cuidados dos seus parceiros e monitoram constantemente.
Temperatura e manejo
Manter uma temperatura adequada é outra ação que garante uma boa sanidade do lote. Britto explica que quando o pintainho - pinto de um dia - chega no aviário, a temperatura ambiente deve ficar na casa dos 33ºC. A cada semana o produtor deve diminuir a temperatura do galpão em 1ºC até a fase de terminação. Britto afirma que o frio nas primeiras semanas de vida dos animais pode causar uma série de doenças e aumentar o uso de medicamentos. Para manter o controle da temperatura, o avicultor mantém um sistema completo de aquecimento e resfriamento automatizado adentro do aviário. Caso haja uma alta temperatura, os resfriadores entram em ação automaticamente. O mesmo acontece com os aquecedores em dias frios.
Se houver a necessidade do uso de medicamento, Britto explica que só pode ser dado às aves por meio da água e até no seu 35º dia de vida. ''Essa exigência é para garantir que até o 47º dia, período de abate, os frangos estejam livres de qualquer tipo de substância química'', garante o produtor. Ricardo Santin acrescenta que essa exigência da indústria faz parte dos itens que as empresas devem apresentar para poderem exportar. Ele afirma que não é permitido comercializar com qualquer tipo de substância no organismo do animal. Britto reforça que para garantir uma boa qualidade do lote, os técnicos da indústria fazem monitoramentos contínuos de peso e saúde dos animais, tudo fornecido gratuitamente pelas empresas. (R.M.)

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