O ácido diclorofenoxiacético, popularmente conhecido como 2,4-D, é o princípio ativo de um dos herbicidas mais utilizados e antigos do mundo. Desenvolvido na década de 40, o produto, indicado no controle de plantas daninhas de folhas largas, como corda-de-viola e amendoim-bravo, é tão polêmico quanto eficaz.
Devido ao alto poder de dessecação, o 2,4-D pode trazer grandes prejuízos se atingir outras culturas. Muitos acreditam que os estragos são causados pelas propriedades voláteis do produto, ou seja, a capacidade que ele tem de se espalhar pelo ar.
Na verdade, a grandeza da pressão da formulação amina do produto está bem abaixo do índice mínimo que considera um produto volátil ou não. Então como um produto não-volátil se espalha com tamanha facilidade?
Para responder essa questão, a Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina, em parceria com a SEAB, realizou recentemente, uma tarde de palestras para desmistificar alguns conceitos sobre o 2,4-D. O maior problema desse herbicida, segundo o engenheiro agrônomo da Emater, Fernando Adegas, não é sua formulação, mas a forma como ele é aplicado. ''Não temos que reduzir sua utilização, mas sim eliminar a deriva dos pulverizadores'', enfatiza.
Adegas aconselha que o uso correto dos bicos aplicadores e estar atento às condições de clima ideais para a aplicação podem minimizar a deriva. ''De nada adianta um pulverizador de última geração se a aplicação for feita com os bicos errados e na hora inadequada'', lembra Adegas. A recomendação é para o uso de bicos antideriva (gotas grandes) com baixa pressão, pulverizar com o mínimo de vento possível e nunca nas horas mais quentes do dia.
Tomando cuidados na aplicação, salienta Adegas, o risco de culturas vizinhas serem atingidas pelo 2,4-D é muito baixo. E, mesmo quando atingidas, o potencial destrutivo de algumas culturas, dependendo do estágio, é menor do que se acredita.
Adegas cita como exemplo o algodão, cuja sensibilidade ao produto cai muito a partir das maçãs formadas. Já a uva a sensibilidade também é muito pequena no estágio de ''meia-baga''. Mas tanto o algodão como a uva, sofrem perdas severas se atingidas no início do desenvolvimento vegetativo.
Outro ponto destacado pelo técnico da Emater é a manutenção constante dos pulverizadores e dos bicos, e o uso correto das dosagens dos defensivos. Adegas cita uma pesquisa realizada pela Unesp, com agricultores dos estados do Paraná e São Paulo, onde todos os pulverizadores fiscalizados apresentavam algum tipo de irregularidade. 80% dos pulverizadores com mais de dois anos de uso apresentam desgaste excessivo nos bicos de pulverização; 70% operam com erros de dosagem e 100% têm problemas nos manômetros (medidor de pressão).

mockup