Cuidados com as doenças de inverno
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sexta-feira, 30 de maio de 1997
Cristina Côrtes 
SanidadeNas grandes granjas, altamente tecnificadas, as condições de sanidade são bem controladasO controle ambiental dos aviários é fundamental para a sanidade das aves, principalmente no período de inverno, quando a incidência das doenças respiratórios aumenta. Na região de Cascavel, por exemplo, os avicultores convivem com duas situações extremas, enfrentam temperaturas quentes no verão e o inverno é rigoroso.
A Cooperativa Agropecuária Cascavel Ltda (Coopavel) atende aproximadamente 500 aviários no sistema de integração, e abate por dia 120 mil aves. O veterinário da cooperativa, Eduardo Vilas Boas Leffer, orienta os avicultores para evitar as principais doenças do inverno: a ascite e a colibacilose.
As duas doenças podem ser evitadas com um bom manejo da temperatura. A ascite é mais perigosa, porque não tem tratamento e leva à morte. A colibacilose pode ser tratada, mas também tem alto risco de morte e contaminação com o lote todo.
DoençasSegundo a pesquisadora Fátima Regina Jaenisc, da Área de Patologia Aviária da Embrapa-Aves e Suínos, de Concórdia (SC), no período de inverno é importante reduzir os riscos de queda de resistência fisiológica das aves, para não facilitar a instalação de enfermidades.
As doenças metabólicas são as mais comuns no inverno, das quais a Síndrome Ascítica em frangos de corte é causa de grandes perdas econômicas. Com a redução da temperatura ambiental, há o aumento do metabolismo da ave para prover a manutenção da sua temperatura corporal, o que demanda maior trabalho cardíaco e respiratório, explica Fátima. Esse processo acarreta aumento do fluxo sanguíneo e hipertensão pulmonar, resultando no quadro ascítico, acumulando líquido na cavidade abdominal.
Arquivo FLAs aves sujeitas às variações do clima estão mais expostas às doenças
Quando ocorre, a ascite não tem tratamento e chega a matar até 8% do lote. Já a colibacilose, bastante comum nesta época pode ser controlada com medicamentos. Eduardo Leffer explica que sistema de integração, o custo do tratamento é pago pela empresa e não pelo produtor, mas o produtor terá prejuízos também porque o intervalo em receber o próximo lote de pintinhos será maior. Na produção de aves, a idade é controlada em horas, e um atraso de dias para receber um novo lote de pintinhos representa perda para o produtor, que fica com sua instalação ociosa, diz Eduardo.
Renovação de arA pesquisadora Fátima lembra que em qualquer época do ano, cuidados na limpeza e desinfecção das instalações são imprescindíveis, mas especialmente no inverno estes cuidados devem ser intensificados.
Manter a temperatura o mais uniforme possível, renovando o ar e evitando a formação de gases durante o período mais frio é uma das medidas básicas para evitar doenças.Quando esfria, a tendência é o avicultor deixar tudo muito fechado, e isto pode ser tão prejudicial quanto expor as aves ao frio, comenta Eduardo. Deve-se escolher as horas mais quentes do dia para abaixar as cortinas e favorecer a circulação do ar. As aberturas no telhado também são eficientes na eliminação do ar quente, que tende a se acumular na parte superior do galpão.
Outro auxílio na melhoria da qualidade de ar são os ventiladores, que não abaixam a temperatura, mas ajudam a eliminar a massa de ar quente e os gases. Para aviários de 100 metros são indicados seis ventiladores e para 50 metros, quatro ventiladores.
Segundo Eduardo, os galpões construídos na região de Cascavel são um pouco diferentes dos localizados nas demais regiões do Estado. A construção já prevê a divisão do local com cortinas, considerando o período de inverno rigoroso, assim como os ventiladores para a época de verão. A cama é feita sobre chão batido e não com piso de cimento, o que favorece a umidade.
O veterinário lembra que é importante manter a cama seca, manejando adequadamente os bebedouros para não deixar cair água, que somada ao esterco das aves forma a amônia volátil. A umidade da cama provoca formação de gases que irritam o aparelho respiratório das aves, favorecendo o aparecimento de doenças, comenta.
Rebanho totalDe acordo com informações da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o rebanho avícola do Paraná é de aproximadamente 134 milhões de aves. O veterinário da Vigilância Sanitária da Seab, Ivonei Afonso Vieira, informa que o controle sanitário das aves do sistema de integração de corte e postura tem seguido as recomendações e está preparado para enfrentar o período de frio.
Este segmento industrializado é altamente tecnificado e apresenta condições de sanidade excelentes, com uma assistência eficiente das empresas, diz Ivonei. A preocupação maior da vigilância sanitária é com a criação caseira de fundo de quintal, ou em propriedades onde as aves são criadas soltas.
O técnico comenta também que estas aves mais expostas às variações do clima, estão sujeitas a doenças e podem contaminar as aves de granjas. Criadas soltas, elas têm contatos com aves silvestres e outros animais, que podem transmitir doenças diferentes e prejudicar a produção comercial.


