Para evitar perdas antes mesmo da germinação, produtores devem estar atentos para o armazenamento e tratamento das sementes, aplicação de micronutrientes e inoculação, além da escolha de sementes de boa qualidade. Estas são algumas das recomendações dos pesquisadores da Embrapa Soja, sediada em Londrina, para que se diminua os riscos e aumente-se os ganhos nas lavouras de soja.
A poucos dias do início da época de plantio da safra deste ano, que vai de 15 de outubro a 30 de dezembro, a comercialização de sementes está normal, e a estimativa de área levantada pelos técnicos do Departamento de Economia Agrícola (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab) aponta uma redução de área de quase 5%, devendo ser plantados 2 milhões 717 mil hectares no Paraná.
Enquanto isso, a produção de soja no Mato Grosso deverá crescer 5%, segundo
previsão da Federação da Agricultura de Mato Grosso (Famato), feita com
base no volume de negócios das empresas fornecedoras de sementes e,
principalmente, na regularidade das chuvas. Se a previsão se confirmar,
a produção passará dos atuais 8,75 milhões de toneladas para 9,18
milhões de toneladas e a área plantada passará de 2,89 milhões de
hectares para 3,03 milhões de hectares.
Em São Paulo a Secretaria da Agricultura lançou um programa para incrementar a produção de soja e de milho no Estado em 3 milhões de toneladas. Segundo o secretário da Agricultura, João Carlos de Souza Meirelles, a meta é destinar, até a safra 2001/2002, uma área extra de 500 mil ha a essas duas culturas no Estado. Para viabilizar o plano, ele está articulando uma parceria entre
agricultores e produtores de insumos, visando estimular o plantio. Além
disso, serão reestruturados os sistemas de crédito da produção e de
seguro contra perdas agrícolas. Depois de anos importando grãos para abastecer suas granjas, o Estado de São Paulo quer alterar essa situação.
RecomendaçõesSegundo o pesquisador da Embrapa Soja, Ademir Henning, o tratamento das sementes com fungicidas é muito importante porque protege-as dos fungos que estão no solo e na própria semente, garantindo uma boa germinação e possibilitando ao agricultor economizar na quantidade.‘‘Para se ter uma idéia, no passado os agricultores, principalmente no Brasil Central, utilizavam dois sacos ou mais de 50 kg de sementes por hectare. Hoje é comum o agricultor utilizar apenas um saco, entre 45 a 50 kg de sementes/ha’’, informa.
A inoculação da soja é uma das práticas que favorecem o aumento da produtividade. ‘‘O aumento da disponibilidade de nitrogênio para a planta é conseguido pela aplicação do inoculantes, um produto que contém bactérias capazes de promover uma associação com a planta e fornecer o nitrogênio’’, explica Rubens José Campo, pesquisador da Embrapa Soja.
Para a aplicação de inoculantes, este ano houve uma alteração na quantidade mínima de células de rizóbios por semente, que passou a ser 160 mil, o dobro do que era utilizado até então. Isso significa que para ter a quantidade recomendada, é preciso aplicar 500 gramas de inoculantes por 50 kg de sementes. ‘‘Aumentando o número de células, aumentam-se os nódulos nas raízes e, consequentemente, o processo se torna mais eficiente’’, completa Rubens.
Durante a operação de tratamento de sementes, os fungicidas e os micronutrientes devem ser aplicados antes da inoculação, o que garante boa aderência à semente. A escolha dos produtos deve ser feita com a assistência técnica.
ArmazenamentoO pesquisador da Embrapa Soja, José de Barros França Neto, lembra aos produtores que já compraram suas sementes que é importante armazená-las em locais bem ventilados, sobre estrados de madeira e afastadas de paredes que transmitam umidade.
As sementes devem ficar separadas de adubos, calcário ou agroquímicos, para evitar contaminação. A temperatura média do ambiente não deve ultrapassar 25 graus e a umidade relativa do ar deve ser de 70%. Se o agricultor não tiver essas condições, é melhor que deixe as sementes o maior tempo possível nos armazéns dos produtores de sementes.
AdubaçãoO produtor que consegue reduzir seus custos no controle de ervas daninhas, fica com mais recursos para investir em adubação. Segundo o pesquisador Áureo Lantmann, a avaliação periódica do solo é importante para se verificar a disponibilidade de macronutrientes (fósforo, cálcio, potássio e magnésio) e o pH do solo. Em áreas onde a produtividade dos anos anteriores foi baixa, o produtor deve procurar a assistência técnica, para discutir a necessidade ou não de adubação com micronutrientes.
‘‘É preciso observar o tempo de cultivo de soja na área e também as análises de solo de anos anteriores, para se medir a evolução da fertilidade associada à produtividade da cultura’’, comenta Lantmann.