Cuba pode comprar genética do PR
Cláudia Barberato
De Curitiba
O intercâmbio tecnológico entre criadores paranaenses e cubanos poderá ser um reflexo positivo da Feira do Paraná, que terminou no último domingo, 17, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Omelio Barroto Leal, vice-ministro da Agricultura de Cuba, que participou da exposição, disse que seu país tem interesse especial na criação de búfalos e gado nelore, além de outras atividades agropecuárias desenvolvidas no Paraná.
O vice-ministro reuniu-se durante a feira com o secretário da Agricultura do Paraná, Antônio Poloni; conversou com o presidente da Federação Paranense de Associações de Criadores (Fepac), Ugo Rodacki, que também é criador de búfalos no Sul do Estado, e com Lício Isfer, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Caracu, raça pela qual também demonstrou interesse.
O ministro cubano convidou o secretário e os criadores para a Feira Internacional Agropecuária, que acontecerá em março do ano que vem em Rancho Boyeros, em Cuba. A reunião foi um primeiro passo para a integração entre os dois países, acredita o presidente da Fepac, Ugo Rodacki.
O convite ao ministro cubano para conhecer algumas das raças de bovinos criadas no Paraná partiu do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Serviços Contábeis, Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e Empresas Prestadoras de Serviço do Estado do Paraná (Sindasp).
Segundo Murilo Zanello Milléo, do Sindasp, depois da visita do ministro de Cuba, na semana passada, o assessor técnico do Ministério de Agricultura daquele país, Melânio Patterson, veterinário na área de pecuária em Cuba, chegou ao Brasil para visitar algumas propriedades, entre elas um criatório de gado nelore no Norte do Paraná.
Além de conhecer o gado nelore, o veterinário cubano visitou também uma cooperativa em Cafelândia, que faz integração e industrialização de frango. Houve também contato com criadores de búfalos e a visita só não foi estendida porque o visto para o veternário cubano permanecer no Brasil somou apenas 10 dias.
De acordo com Milléo, do Sindasp, Cuba tem interesse de comprar vários produtos no Brasil, na área de produção orgânica e, especialmente, material genético, já que aquele país tem estrutura fundiária e climática semelhante à do Brasil. Já o interesse do Brasil, segundo Ugo Rodacki, poderia ser com a tecnologia e insumos, medicamentos e vacinas produzidas naquele país, como outra alternativa às empresas já existentes no mercado brasileiro. Especialmente no caso do carrapaticida orgânico, desenvolvido em Cuba, e apresentado na Feira do Paraná deste ano, afirmou Rodacki.
Trabalho das associações Segundo Ugo Rodacki, da Fepac, que também é criador de búfalos, e Lício Isfer, da associação de caracu, negócios com Cuba poderão ser atrativos para os criadores paranaenses. A Fepac tem 30 associações filiadas e pretende estender a possibilidade de negócios para as entidades filiadas. Os criadores garantem que os animais criados no Brasil podem servir aos objetivos de criadores cubanos na pecuária extensiva, a pasto.
Segundo Isfer a associação do caracu está preparada para exportar sêmen e embrião para aquele país e pretende realizar trabalho semelhante em países da América do Sul, América Central e África. Por serem países com características climáticas e tecnológicas semelhantes às do Brasil, o uso do caracu seria muito importante no desenvolvimento de pesquisas e evolução das raças, garante Isfer.
A associação do caracu, segundo Isfer, tem a preocupação de realizar pesquisas sobre o uso da raça e tem trabalhos desenvolvidos pelo Instituto de Zootecnia de São Paulo, Instituto Agronômico do Paraná e Embrapa Gado de Corte, sediada em Campo Grande, MS.
Isfer defende o caracu como bovino rústico, precoce e barato. Segundo ele, hoje o Brasil tem 40 mil animais registrados e a associação possui 140 sócios que criam o caracu nas mais diversas regiões do País. A maior concentração de animais está no Mato Grosso, depois no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná. São animais totalmente criados a pasto, que oferecem baixo custo de produção no cruzamento industrial.
A Fepac pretende ampliar esta chance para outras raças criadas no Paraná. Rodacki confirmou presença na feira de Cuba em março de 2000. Segundo ele, os criadores cubanos poderiam contribuir na pecuária brasileira com as raças compostas existentes naquele país.





