CTC é referência mundial em cana
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sábado, 24 de fevereiro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Piracicaba - Mais de 150 pesquisadores, laboratórios, campos experimentais e uma estrutura que requer investimentos anuais da ordem de R$ 30 milhões, sendo R$ 10 milhões somente para o programa de melhoramento genético. Ao adentrar o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em Piracicaba, respira-se cana onde quer que se vá.
Por ser uma organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), toda a renda arrecadada pelo CTC, por meio das contribuições anuais das usinas associadas, é revertida na transferência de tecnologia que irá gerar valor agregado para o próprio associado.
Em três anos de trabalho, o Centro saltou de 79 unidades produtoras associadas em 2004, para 141 este ano. Ao todo, a entidade de pesquisa atende 12 mil fornecedores de cana de todo o País.
E não é só a descoberta de novas cultivares que move os pesquisadores do CTC. O órgão desenvolve pesquisas nas áreas industrial, logística e agronômica, incluindo plantio e colheita mecanizados, biotecnologia, controle biológico de pragas, muda sadia, geoprocessamento, imagens de satélites, cartas de ambiente de produção, fabricação de açúcar e álcool e geração de energia.
Hoje, apenas São Paulo já tem 40% da colheita mecanizada. No Paraná, nem 10% dos canaviais utilizam colheitadeiras mecânicas. Ao associar-se ao CTC, o usineiro recebe assistência não só para transformar a colheita manual em mecânica e evitar as queimadas, já proibidas por lei, como também para escolher o melhor equipamento e, principalmente, a variedade mais adaptada à região.
Segundo o diretor-superintendente Nilson Boeta, 44 projetos de pesquisa distintos estão sendo realizados no centro de tecnologia atualmente. Entre eles, análises de solo, lançamentos de variedades mais produtivas e mais resistentes a pragas e doenças, aproveitamento do bagaço e da palha da cana e fermentação.
Com 141 usinas associadas, a meta da entidade é fechar esta safra, que termina em abril, com 150 associados, o equivalente a 60% de toda a cana moída no Centro-Sul brasileiro. Para isso estão sendo feitos contatos com usineiros de Alagoas, Pernambuco e Paraíba, além de palestras no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
A criação de regionais também tem facilitado o contato dos associados com os pesquisadores. Um gerente regional é responsável por levantar as principais demandas de sua região de atuação e o Centro trabalha no desenvolvimento da tecnologia, sem custo adicional ao usineiro. ''O associado só paga a mais se for preciso adaptar um projeto já existente para a sua realidade específica. Mas se a demanda for dos usineiros em geral, o custo do projeto fica por conta do CTC que, afinal é mantido pelos próprios donos de usinas'', afirma Osmar Figueiredo Filho, diretor de Mercado & Oportunidades do CTC.
No que se refere à biotecnologia, a pesquisa com cana transgênica está longe de lançar uma variedade geneticamente modificada, ''quanto mais cultivá-la em campo'', assegura o engenheiro agrônomo Tadeu Andrade, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do CTC.
Segundo ele, ainda estão sendo feitos estudos quanto ao ganho genético e o aumento do potencial de armazenamento de açúcar em cultivares transgênicas. ''As pesquisas têm mostrado que é possível obter até 3% em ganho de produtividade e 20% em armazenamento de açúcar. No entanto, a biotecnologia só faz sentido quando associada a um programa completo de melhoramento genético'', argumenta Andrade.
A equipe da FOLHA viajou para Piracicaba a convite do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).


