Cláudia Barberato
De Londrina
A Embrapa Corte está finalizando os resultados de dois anos de pesquisa e avaliação de cruzamentos terminais com fêmeas meio-sangue de médio e grande porte. O objetivo é verificar qual a eficiência dos dois sistemas de produção, medindo produtividade, consumo, avaliação de carcaça, entre outros. A pesquisa possibilitará saber também qual dos dois sistemas de cruzamento tem o melhor custo de produção para animais superprecoces, entre os 11 e 13 meses de idade.
O cruzamento é terminal com touros canchim. Os animais filhos desses cruzamentos estão sendo avaliados exclusivamente para produção de carne. As raças foram escolhidas pela representatividade que têm nos cruzamentos feitos atualmente no Brasil. Este ano estão sendo abatidos os primeiros animais filhos desses cruzamentos tricross (meio-sangue canchim, 1/4 simental e 1/4 nelore e o meio-sangue canchim com 1/4 angus e 1/4 nelore).
Bons resultadosSegundo o pesquisador da Embrapa Corte, Kepler Euclides Filho, ainda serão necessários mais três anos de informação para escolher um ou outro tipo de cruzamento. Mesmo assim, ele está otimista quanto aos primeiros resultados. ‘‘Os filhos desse cruzamento terminal têm apresentado bons índices de rendimento de carcaça, além de uma carne saborosa e macia’’, garante o pesquisador.
As fêmeas obtidas do cruzamento estão somando 57% de rendimento de carcaça e os machos 59% de rendimento. Os machos obtêm peso médio de carcaça de 268 quilos e as fêmeas 210 quilos. A conversão alimentar dos dois grupos está em torno de 5,6 quilos de matéria seca consumida, para cada quilo de ganho de peso vivo.
‘‘A taxa de concepção das fêmeas do cruzamento também se mostra eficiente’’, afirma Kepler Euclides Filho. Nos dois anos do estudo, segundo o pesquisador da Embrapa Corte, as fêmeas-mães de médio porte apresentaram taxa (média) de concepção de 95%. As mães de grande porte, no primeiro ano de pequisa, entre os 13 e 15 meses de idade, alcançaram apenas 30% de taxa de concepção. Já no segundo ano, também apresentaram uma taxa de 95%.
O pesquisador explica que as fêmeas de grande porte são mais tardias na parte reprodutiva, mas têm melhor conversão e uma carcaça mais pesada. ‘‘É apenas uma questão fisiológica e não há nada de errado. O cruzamento com fêmeas de grande porte será mais compensador dependendo da realidade do pecuarista’’.
Choque de sangueOs bons resultados, na opinião de Kepler Euclides, foram conseguidos em função das combinações das raças. O cruzamento em si já proporciona peso a desmama elevado e, portanto, uma terminação mais rápida do animal.
O próximo passo é acrescentar à pesquisa a avaliação de dados como consumo de pasto das vacas durante o período de cruza e prenhez, além da produção de leite que terão e o consumo dos bezerros até a desmama.
Depois de desmamados os filhos do cruzamento são confinados e mais tarde, por volta dos 11 a 13 meses abatidos. As fêmeas de grande porte usadas na pesquisa são meio-sangue simental com nelore, cruzadas com touros de peso entre 1100 quilos a 1300 quilos. As de médio porte são fêmeas meio-sangue angus com nelore, cruzadas com touros pesando entre 800 a 1000 quilos.
‘‘A escolha do touro de raça canchim no cruzamento terminal se deu pela habilidade do touro em trabalhar na monta natural das fêmeas’’, afirma Kepler Euclides. Além disso, são touros de grande porte o que, segundo o pesquisador, é uma característica importante no cruzamento.
‘‘O canchim, fruto do cruzamento de charolês com nelore, se mostra bastante rústico para trabalho a campo. Mas existem outras raças que poderiam servir perfeitamente ao sistema. Qualquer raça européia continental pode ser usada. Cada criador pode escolher a sua preferência e pela facilidade de compra’’, avalia o pesquisador.
Outro motivo para a escolha do canchim, segundo o pesquisador, é que a raça foi desenvolvida pelo sistema estatal de pesquisa, formado pela Embrapa e está disponível na estação de Pecuária do Sudeste, em São Carlos (SP).

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