Sistemas de cruzamento que aproveitam melhor as diferenças genéticas entre raças, a heterose e a complementariedade, delineados de acordo com as restrições impostas pela alimentação, ambiente e mercado, são o meio mais eficaz de se melhorar, geneticamente, a curto prazo, a eficiência técnica da produção de carne bovina. A afirmação é do pesquisador da Embrapa-Centro de Pesquisa Sudeste, de São Carlos (SP), Pedro Franklin Barbosa.
‘‘A produção de carne bovina é o resultado da utilização dos recursos genéticos e ambientais disponíveis e das práticas de manejo adotadas. Os sistemas mais eficientes são aqueles que melhoram o uso dos recursos genéticos (raças, linhagens, cruzamentos, sexo dos animais e outros) e ambientais (clima e solo) e as práticas de manejo (criação em regime de pasto, semiconfinamento, confinamento, estação de monta, e outros)’’, afirma Barbosa.
Ele explica que a produção de carne está mais voltada para o cruzamento industrial com a produção do novilho precoce, obtendo animais com peso de abate mais cedo, com bom grau de acabamento de carcaça e, ‘‘portanto, trazendo maior eficiência à atividade pecuária.’’
Sistema de produçãoBarbosa foi um dos palestrantes da conferência ‘‘Pecuária de Corte no Brasil’’, realizada durante esta semana em São Paulo. Falando do tema ‘‘Cruzamento Industrial’’, o pesquisador não indica melhores raças para o cruzamento e obtenção do novilho precoce. ‘‘Nenhuma raça é superior em todas as características que são importantes para a produção de carne bovina, quando se considera todo o sistema de produção (reprodução, produção e consumo).
Ele indica que a idade de abate depende basicamente de dois fatores de manejo: o peso à desmama e o ganho de peso após a desmama. Os ganhos de peso pós-desmama são médias dos ganhos dos oito meses de idade até a respectiva idade de abate; ‘‘é pouco provável que as médias maiores que 1,2 kg/dia sejam obtidas em condições normais de produção (pastagens de boa qualidade na fase de recria e dietas de alta densidade na fase de confinamento).’’
Tipos biológicosOs bovinos crescem em tamanho até os sete anos de idade ou mais, mas grande parte do desenvolvimento muscular estará completa aos dois anos de idade, aproximadamente, dependendo do seu tipo biológico. Barbosa explica que o ponto de ganho de peso/dia atinge grau máximo um pouco antes da puberdade dos animais. ‘‘Os animais são cada vez menos eficientes à medida que aumentam a sua idade; daí a grande importância que o fator idade de abate assume na obtenção do novilho precoce.’’
Vários tipos de bovinos podem ser criados para a obtenção do novilho precoce. Quanto ao tamanho na maturidade (idade adulta), são classificados em pequenos, médios e grandes. Quanto ao grau de musculatura, os animais podem ser classificados em três tipos: grossa, moderada e fina. Embora exista variação quanto ao tipo de musculatura entre animais de uma mesma raça, a combinação desses dois critérios de classificação permite, de acordo com o pesquisador, determinar tipos biológicos disponíveis para obtenção de novilhos de corte.
‘‘Raças de tamanho grande e musculatura grossa têm taxas de crescimento maiores (maior ganho de peso por dia), mas são mais tardias quanto à habilidade para acumular o mínimo necessário de gordura na carcaça’’, explica. As raças de tamanho pequeno e musculatura moderada, por outro lado, afirma Barbosa, têm menores taxas de crescimento absoluto, ‘‘mas são mais precoces em termos de acabamento da carcaça. Isto é, têm maior habilidade para deposição de gordura na carcaça do que as de tamanho grande.’’
Idade de abateTrabalhos de pesquisa mostram que a correlação genética entre o peso na maturidade (idade adulta) e a taxa de maturação (tempo que o animal leva para atingir o tamanho à maturidade) é negativa. ‘‘Isto indica que os animais com potencial genético para maior tamanho à maturidade demoram mais tempo para atingir um mesmo grau de maturidade, se comparados com animais de menor potencial genético para tamanho à maturidade. Essa relação entre tamanho na idade e grau de maturidade tem consequências importantes no peso de abate e na composição da carcaça.’’
Considerando que a maior parte dos animais cruzados resulta da utilização de touros de raças de Bos taurus, de tamanhos médio e grande, em sistemas de cruzamento com vacas da raça nelore, os resultados obtidos não são muito diferentes do que seria esperado. As raças de tamanho grande são tardias quanto à taxa de deposição de gordura na carcaça e, por isso, garante o pesquisador, os animais cruzados, filhos de touros de raças de tamanho grande e musculatura grossa e moderada, devem ser abatidos com pesos mais elevados, sejam eles machos, novilhos ou novilhas.
Para animais de tamanho pequeno, observa-se que a idade de abate pode variar de 14 a 51 meses, dependendo do peso à desmama e do ganho de peso diário pós-desmama. A idade de abate dos animais de tamanho grande, por outro lado, varia de 15,9 a 65,5 meses. ‘‘Para esse tipo de animal o ganho de peso pós-desmama não pode ser menor que 0,6 kg/dia, em média, para que seja obtido de abate na idade estabelecida pelo Programa de Carne Qualificada (Novilho Precoce), de São Paulo.’’ Animais de tamanho médio, com baixo peso à desmama (menos de 160 kg) e menos de 0,4 kg/dia de ganho pós-desmama, segundo Barbosa, também não são capazes de produtir carcaças classificadas como sendo de novilho precoce. ‘‘Recomenda-se que a taxa de ganho pós-desmama não seja inferior a 0,5 kg/dia, em média, para novilhos de tamanho médio.’’

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