O caracu sai do Sul, passa pelo Norte e Noroeste do Paraná e segue pelo Estado de São Paulo com destino ao cerrado. O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Associação Brasileira de Criadores de Gado Caracu (ABCCaracu), firmaram convênio na última quarta-feira à noite, em Londrina, para que o Iapar pesquise o cruzamento das raças caracu e nelore.
O convênio foi assinado pelo diretor técnico e científico do Iapar, Antônio Costa e o diretor da Associação dos Criadores de Caracu, Pedro Flávio Reis. Um dos itens do convênio prevê a doação, pela ABCCaracu, de 40 novilhas da raça, enquanto o Iapar entra com sua estrutura física e científica. Estavam presentes os pesquisadores Daniel Perotto, Inácio A. Kroetz, executor do projeto, e Antônio Molleta, além de criadores de Caracu dos Campos Gerais e municípios do Sul do Estado.
Para Antônio Costa, a parceria apresentará vários benefícios para a pecuária. Um deles é estender as atividades com raça para o Norte do Paraná, para o Estado de São Paulo e para as regiões de cerrado.
''A parceria fará com que o trabalho de pesquisa na Estação Experimental de Joaquim Távora, tenha uma abrangência maior, chegando até o cerrado brasileiro. A parceria também consolida um trabalho que o Iapar já vem fazendo com a Associação Brasileira dos Criadores de Caracu desde 1980.
Segundo Daniel Perotto, será feito estudo sobre o Caracu em cruzamento com nelore visando a avaliação genética do caracu para as condições mais quentes do Paraná, que também vale para o Brasil Central onde há muito gado nelore. O caracu é a melhor opção para cruzar com nelore no Brasil Central. Já existem trabalhos isolados incompletos. Agora a avaliação será sistemática, em cima de parâmetros científicos e não apenas um cruzamento entre duas raças.
Segundo José Luiz Strapasson, superintendente técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Gado Caracu e criador da raça no Sul do Estado, serão feitos cruzamentos de touros nelores com vacas caracu e touros caracu em vacas nelore.
Como o nelore é a melhor raça do Brasil, especialmente no Brasil Central, e o Caracu é uma raça nacional rústica, de uma adaptação fantástica, o produto desse cruzamento será excelente - prevê Strapasson.
Pedro Flávio Reis, diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Caracu, lembrou que já existe um trabalho com Iapar desde 1980. ''O Iapar já é criador da raça caracu desde aquele ano. Em Ponta Grossa trabalha com raças Charolesa e Aberdeen. Agora fará esse trabalho com o nelore em parceria com a nossa associação o que é bom porque uma instituição como o Iapar confere credibilidade ao melhoramento''.
''O nosso caracu é uma raça eficiente, de dupla aptidão. No nosso caso no Sul aqui do Paraná, a criação se destina mais a corte. Em Minas Gerais, o Caracu é mais para a produção leiteira. Mas é um gado rústico que vai bem em todas as regiões, desde as baixas temperaturas de Palmas até o calor do cerrado''.
A Associação dos Criadores de Caracu foi fundada no início dos anos 80 por um grupo pequeno de paranaenses e alguns mineiros e paulistas. Hoje são mais de 180 sócios no Brasil inteiro, com maior número no Brasil Central.
A carne do caracu é uma carne macia enquanto a carne do nelore é mais firme. O produto do cruzamento caracu com nelore, certamente será uma carne de alta qualidade, prevêem criadores das raça, mas um dos pontos importantes mesmo é a rusticidade e a fácil adaptação do caracu e sua alta produtividade. Atributos como estes, principalmente a maciez da carne, são conhecidos na raça Caracu, garante Pedro Flávio Reis.

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