Especialista garante que sistema permite aumentar a eficiência na pecuária, mas alerta para a escolha dos animais a fim de atender exigências do mercado
O cruzamento não é simplesmente uma mistura de raças. O alerta é do professor do Departamento de Produção e Exploração Animal, André Mendes Jorge, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia/Unesp de Botucatu (SP). André Jorge garante que o cruzamento industrial pode resultar num aumento de 20% a 25% no peso da desmama dos animais frutos dessa cruza e 15% a mais na taxa de fertilidade do rebanho. Além disso, o pecuarista pode obter animais prontos para abate em menor espaço de tempo, otimizando seu negócio.
‘‘Mas os resultados não aparecem feito mágica’’, alerta o professor. É preciso que o pecuarista faça o cruzamento, aproveitando o vigor da mistura dos sangues de animais zebuínos e europeus, com orientação técnica, de acordo com a realidade de clima e pasto e, sobretudo, pensando em atender o que o mercado consumidor deseja em termos de carne.
O peso dos bezerros cruzados na desmama chega aos 240 kg. No caso das fêmeas, segundo o professor, as filhas do cruzamento podem ser utilizadas como matrizes, porque apresentam bons índices de fertilidade, podendo ser entouradas por volta dos 300 kg ou 14/15 meses e parirem aos 23 ou 25 meses.
A prática de cruzar animais no Brasil não é nova e começou há mais de 30 anos, mas houve uma intensificação nos últimos 10 a 15 anos. O que mudou, segundo o professor, foi o manejo e a seleção de animais para fazer o cruzamento.
A base ainda é o gado zebuíno que, segundo André Jorge, possuem limitações no potencial genético para características de importância econômica, ‘‘principalmente no crescimento e no acabamento de carcaça, características que são adicionadas pelo sangue dos animais europeus no cruzamento.’’
Na escolha das raças a serem cruzadas, continua o professor, deve-se buscar as características mais marcantes, visando animais eficientes e produtivos em menor espaço de tempo.
A eficiência, segundo André Jorge, significa produzir animais com boa velocidade no ganho de peso, precocidade, habilidade materna, qualidade de carcaça, entre outras características. Basicamente, avisa o professor, conseguir indivíduos que atendam as exigências de mercado e que fiquem prontos em menor espaço de tempo, aumentando o desfrute do rebanho e liberando os pastos mais cedo.
André Jorge afirma que o uso do cruzamento contribuiu nos últimos anos para reduzir a idade média de abate do rebanho brasileiro. Há 15 anos a idade média de abate era de 48 meses. Ou seja, um boi, criado a pasto, demorava 48 meses para chegar ao ponto.
Hoje, além do cruzamento, melhorias no manejo alimentar, ofertando bons pastos, e bom controle sanitário, cooperam para que a idade média de abate para animais criados a pasto seja de 33 meses no Brasil Central.
Com o cruzamento industrial, de acordo com o professor André Jorge, é possível também fazer os animais precoces (prontos aos 24 meses) e até os superprecoces (12 meses), desde que lhes seja dado um manejo alimentar adequado.
Como a finalidade básica do cruzamento industrial, explica André Jorge, é o aumento da produção e produtividade, nada disso adianta se não existir um trabalho profissional na condução de todo o sistema de produção de carne. É preciso, segundo ele, ofertar qualidade. Escolher bem os animais e ter alimento suficiente para ofertar ao rebanho.
O pecuarista deve fazer a rastreabilidade de toda sua produção. Identificar os animais no nascimento, da maneira que for mais conveniente, administrar o sistema de alimentação, fazer anotações e controle de sexo e raças utilizadas, e procurar entregar os produtos em indústrias que também estejam de acordo com a nova realidade do mercado.
‘‘O mercado consumidor quer qualidade, manejo correto do animal no pré-abate e no abate, valorizando o bem estar do animal, ou seja, se foi bem cuidado, criado e abatido dentro das normas. Não adianta produzir em menor espaço de tempo se não houver qualidade.’’
O cruzamento, de acordo com o professor André, tem sido tema de pesquisas na área de exploração animal na Unesp de Botucatu há mais de 25 anos, para estudo de raças e animais que proporcionem maior velocidade de acabamento de carcaça, gordura de marmoreio na carne (entremeada), que segundo os técnicos traz mais maciez, e abates precoces. O uso da prática, segundo André Jorge, implica na necessidade de um manejo melhor, nutrição adequada para os animais que devem ser de bom padrão reprodutivo para obter níveis produtivos superiores.

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