Crise interna ameaça pecuária brasileira
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sexta-feira, 16 de setembro de 2005
Reportagem Local 
No mercado externo, a carne bovina brasileira é um sucesso, diz o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira. No acumulado entre janeiro e agosto deste ano, o Brasil vendeu US$ 2,164 bilhões em carne bovina e miúdos ao Exterior, 32,7% a mais que o total de US$ 1,631 bilhão dos oito primeiros meses do ano passado.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou US$ 69 milhões em carne bovina para a Argélia, 200% a mais que os US$ 23 milhões de igual período do ano passado. Outro exemplo de conquista de novos mercados é a remessa de US$ 53 milhões de carne bovina para a Bulgária nos primeiros oito meses do ano; 382% a mais que no mesmo período de 2004.
Já no cenário interno, o quadro é de crise, com elevados custos de produção e queda do preço pago ao criador. No mercado paulista, o preço do boi, à vista, foi de R$ 53,6/ arroba, em julho; frente R$ 61,5/arroba, em julho do ano passado. ''São valores nominais. Se considerarmos a inflação, a perda é ainda maior'', diz Nogueira.
Estudo realizado pela CNA e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) mostra que entre janeiro e julho, os custos de produção, mensurados pelo conceito de Custos Operacionais Totais (COT) subiram 4,96%, enquanto que o preço pago pelo boi gordo caiu 13,23%. A análise considera nove Estados (GO, MG, MT, MS, PA, PR, RS, RO e SP), os quais concentram 77,87% do rebanho nacional.
Dados referentes exclusivamente ao mês de julho indicam ligeira queda do custo de produção, de 0,07%, conforme o conceito ''COT''. Mas no mesmo mês, o preço pago pelo boi gordo também caiu, em 1,67%, contrariando tendência de mercado, pois o setor está em pleno período de entressafra, quando tradicionalmente há recuperação dos valores do gado.
Conforme explica o representante da CNA, a queda dos custos dos insumos, mesmo que tímida, é mais um indicativo da crise do setor. Ou seja, o pecuarista está sem dinheiro para investir no rebanho, no pasto e na propriedade; e a baixa procura por insumos é que está provocando queda dos custos de produção. Essa tendência, em médio prazo, compromete a produtividade do rebanho. ''Isso é perigoso, pois são os atuais índices de produtividade que permitem o Brasil expandir exportações'', declara Nogueira.
Segundo ele, o pecuarista aumentou consideravelmente o abate de fêmeas, de forma a obter liquidez. Com menos matrizes nos pastos, o resultado poderá ser de queda na oferta de bezerros e redução na oferta de carne bovina nos próximos anos, com reflexo nas exportações de setor, destaca.


