A crise que atingiu a Argentina foi mais branda para os fazendeiros. A desvalorização do peso (um dólar equivele a 3,50 pesos) trouxe benefícios para a área rural. Isso porque as dívidas foram convertidas em pesos, mas o produto continua sendo cotado em dólar. Por outro lado, as taxas em cima da produção não são poucas. O imposto sobre a exportação é de 21%.
Na região visitada pelo grupo da Faep ainda é discreto o clima de eleição marcada para 27 de abril. Cartazes pela rua, só mesmo do ex-presidente Menem, recebido com desconfiança pela maioria dos argentinos que teve contato com o grupo paranaense. Quando questionado sobre suas expectativas em relação ao novo presidente, o produtor Homero Broggi, da Fazenda Posta Alta (província de Buenos Aires), disse que as promessas feitas pelos candidatos para a área de agricultura são tímidas.
Se por um lado não há subsídios para a agricultura, por outro, não existem leis ambientais rígidas. Não há exigência de área mínima para reserva legal e não há preocupação com o destino das embalagens de agrotóxico. Um fazendeiro confessou que elas são queimadas.
Uma característica chamou a atenção dos paranaenses durante a viagem à Argentina. As fazendas mantinham poucos funcionários morando no local e mesmo os proprietários mantinham residência na cidade.
Na opinião de João Luiz Rodrigues Biscaia, diretor-financeiro da Faep, essa característica é um ponto positivo porque o relacionamento torna-se extremamente profissional. ''É diferente do sistema colonialista do Brasil, onde a relação ainda é muito familiar''. Seguindo essa teoria, Biscaia destaca a importância das vilas rurais para fixar os empregados próximos à propriedade onde trabalham. Ele acredita que o produtor brasileiro precisa passar por um amadurecimento e ''esquecer a denominação agricultor, tornando-se empresários rurais''.
Proporcionar o conhecimento de uma realidade diferente é justamente um dos objetivos da viagem técnica organizada pela Faep. A idéia, segundo Biscaia, é que os participantes da comitiva passem a agir, em suas comunidades, como multiplicadores da experiência vivenciada no exterior.
O diretor-secretário da Faep, Livaldo Gemin, lembra que se em alguns momentos a viagem mostrou exemplos de profissionalismo entre fazendeiros argentinos, em outros momentos também ajudou a levantar a auto-estima dos paranaenses. Isso porque em várias situações os brasileiros perceberam que não ficam atrás dos vizinhos.
A preocupação com a capacitação do trabalhador rural também é maior no Brasil, observaram os dois representantes do Senar na comitiva, Pedro Maia Penna, de Ponta Grossa, e Josiel Nascimento, de Curitiba. Josiel Nascimento lembrou que a responsabilidade da preparação do empregado argentino é da empresa que vende equipamentos ou do próprio patrão. Cursos de aperfeiçoamento, como os oferecidos pelo Senar, não são comuns naquele país.

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