Curitiba - O setor de criação de búfalos do Paraná está em declínio. A constatação é da própria Associação Paranaense de Criadores de Búfalos (Abupar). Segundo David Thiessen, presidente da entidade, atualmente o preço da arroba atinge ''no máximo'' R$ 42. ''Até agosto do ano passado, beirava os R$ 60'', explica Thiessen.
Ele comenta que as dificuldades dos criadores de búfalos do Paraná resultaram de duas situações. Em primeiro lugar, há cerca de cinco anos, uma organização não-governamental (ong) criou áreas de preservação ambiental no Litoral paranaense, região do Estado com tradição na criação de bubalinos.
''A ong adquiriu cerca de 19 mil hectares no Litoral, entre Guaraqueçaba e Antonina. Grande parte destes terrenos era utilizada para criação de búfalos. O número de cabeças de bubalinos na região do Litoral diminuiu de aproximadamente 17 mil para cerca de 3,5 mil'', explica Thiessen.
A segunda situação que contribuiu para o declínio do setor foi a recente decretação de focos de aftosa em rebanhos bovinos do Paraná. ''A utilidade do bubalino é muito parecida com a dos bovinos. Dessa forma, essa decretação de aftosa debilitou o mercado também para os criadores de búfalos'', analisa Ivo Almeida, que possui uma propriedade com cerca de 300 cabeças em Antonina.
''No início do ano passado, vendi a R$ 54 a arroba da carne de búfalo. Recentemente, vendi a R$ 45. No começo de 2005, vendi a R$ 1,80 o quilo do bezerro de bubalino vivo. No último mês de janeiro, vendi a R$ 1,55'', lamenta Almeida. ''A situação do mercado de bubalinos só vai se reverter quando ocorrer a recuperação do setor de bovinocultura. O setor pecuário está desestimulado e em declínio''.
''A pouca comercialização do búfalo gordo afeta o comércio de animais de reposição e a venda de bezerros'', diz Thiessen, que aponta que a criação paranaense de bubalinos é voltada para o mercado interno. ''Não há rebanho suficiente para exportar'', argumenta ele. Segundo a Abupar, no Paraná há atualmente cerca de mil criadores de búfalos, que mantêm um plantel de aproximadamente 120 mil cabeças.
Os criadores apontam que a região do Litoral é mais propícia para a criação de búfalos, já que as condições climáticas naquela área dificultam a bovinocultura. ''O búfalo é mais rústico'', afirma Almeida. ''O búfalo desenvolve melhor do que a média do rebanho bovino em condições iguais. São as mesmas necessidades. Em pasto pobre, o búfalo reage bem melhor do que o bovino'', complementa Thiessen.
''O custo de criação de bubalinos é entre 5% e 10% menor do que a bovinocultura. Por isso, os frigoríficos também pagam menos pela carne'', diz o presidente da Abupar. Almeida explica que os criadores de búfalos que optaram pela exploração mista (carne e produção de leite) estão se saindo melhor no desanimador cenário atual.
''O leite de búfala é um produto mais rico do que o leite de vaca. Tem mais valor nutritivo. Devido a essa qualidade, o leite de bubalino custa pelo menos o dobro. Os derivados são muito procurados e têm bom preço, especialmente a mozarela'', diz o criador.

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