Crise do arroz dura mais seis meses
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sexta-feira, 18 de julho de 2003
Reportagem Local 
Os preços do arroz estabilizaram no varejo - depois de uma alta em torno de 50% em 10 meses - porque os comerciantes têm dificuldade em repassar a alta para o consumidor e ainda enfrentam acirrada concorrência.
Mas, no atacado, a variação continua, conforme cerealistas de Apucarana, Curitiba e Maringá, que vão buscar o produto no Rio Grande do Sul, a uma distância que varia entre 950 a 1,3 mil quilômetros.
Os atacadistas garantem que trabalham com margem líquida ''muito modesta'', que varia entre 5% - segundo empresário de Apucarana -, e 11%, segundo empresários de Ponta Grossa. Para auferir esse lucro sobre a saca de arroz, eles colocam em risco um patrimônio de milhões: carretas, máquina de benefício e um elevado capital de giro. Segundo comerciantes, esse margem já foi bem maior, entre 15% e 30%, ''mas não em tempo de crise como agora'' - garantem.
Além da aumento do preço pago ao produtor, o frete foi fator de encarecimento, puxado pelas altas dos combustíveis no primeiro semestre. Nos últimos anos este item passou a ter peso específico maior sobre os custos finais.
Especulação - A redução da oferta, motivada pela quebra da safra gaúcha de 5,5 milhões para 4,5 milhões de toneladas, criou oportunidades para os especuladores. Os próprios produtores gaúchos procuraram reter a produção e tirar grande proveito da redução da safra.
Apesar da disponibilidade do produto no mercado externo, o abastecimento continua ameaçado pelo baixo estoque nacional e porque só haverá colheita no início de fevereiro, a mais de seis meses.
O abastecimento de arroz mostrou desconforto nos últimos anos. O consumo aumentou para 12 milhões de t enquanto a podução não estacionou nos 10,5 milhões de t. Os estoques da Conab não passam de 55 mil t, dois a três dias de consumo nacional.
Ao contrário do feijão - cuja alta de preços provoca deslocamento do consumo para outros itens mais baratos como o macarrão -, o arroz não é tão facilmente substituível - observam os comerciantes.
''O arroz tem uma colheita por ano - lembra o empresário Sérgio Biazze, de Apucarana, com 20 aos de experiência nos setor - prevendo pelo menos mais seis meses de escassez.


