As recentes mudanças no câmbio estimulam o setor agroindustrial do Sul do País, em especial a avicultura, que registra crescimento na produção e no consumo neste início de ano. A cadeia produtiva do frango deve continuar em expansão em relação a anos anteriores, porque este setor é fortemente destinado a exportação.
No mercado interno, a produção de frango de corte iniciou o ano com a maior oferta da história da avicultura, contrariando o comportamento habitual do mercado nos meses de janeiro e fevereiro, que têm se caracterizado como período de baixa oferta e baixo consumo. Os números divulgados pela Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco) mostram que em janeiro deste ano foram ofertados ao consumidor 376,2 mil toneladas de carne de frango, 7% a mais do que a oferta de dezembro, considerado o mês de maior consumo no ano.
TendênciaNa análise do veterinário Jurandir Machado, do Instituto de Economia e Planajemanto Agrícola de Santa Catarina (Icepa), o mercado deve continuar favorável e em expansão. ‘‘Com exceção da Semana Santa, período em que se registra o menor consumo de carne no País, o comportamento do mercado avícola nunca foi tão favorável’’, comenta.
Beneficiada pela crise cambial, a produção de carne de frango deve continuar crescendoEle explica que a tendência é que o preço da carne bovina aumente num curto prazo, devido à dificuldade na importação e estímulo para as exportações; a produção de suínos, outro concorrente do frango, deve aumentar, mas não o suficiente para atender a demanda.
Jurandir Machado acredita que o crescimento previsto da produção, para 4,7 milhões de toneladas, será superado. No ano passado foram produzidos 4,5 milhões de toneladas, mas sem utilizar toda a capacidade instalada de produção.‘‘ Neste ano deve acontecer a ocupação de toda nossa instalação, o que nos leva a prever o crescimento de 200 mil toneladas. E, como novos investimentos estão sendo anunciados pelo setor, esperamos um crescimento ainda maior’’, comenta.
SegmentoAs análises mais recentes feitas pelo setor mostram o seguinte crescimento por segmento: alojamento de matrizes de corte - crescimento de 17,7%, em relação a 98; produção de pintos de corte - crescimento de 11,4%; produção de carne de frango - 8,83%; exportações de carne de frango - 0,66%, e disponibilidade interna de carne de frango - 9,82%. (Dados da Apinco).
No caso das exportações, onde estão registrados os índices mais baixos, a Apinco explica que os embarques efetuados em janeiro já haviam sido previamente negociados, antes da desvalorização cambial, e que o setor exportador mantém suas expectativas de comercializar, no mercado externo, cerca de 700 mil toneladas de frango este ano, 15% a mais do que 98.
O crescimento contínuo da produção só corre um risco, segundo a Apinco, o de que o alto valor do dólar afete ainda mais os custos de produção do setor, em elevação desde janeiro. ‘‘Até agora a indústria avícola vem conseguindo administrar este questão, mas se as elevações persistirem, poderão ocasionar impasses e desestrutruração do setor’’, alerta documento divulgado pela Apinco.

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