Um alto dirigente da Organização Internacional do Café (OIC) acha que a crise não acabou. Apesar de os preços do café acumularem nas últimas duas semanas altas de até 30%, o diretor-executivo da OIC, o colombiano Nestor Osorio, disse esta semana que as perspectivas para os produtores continuam alarmantes. ''Se as coisas continuarem como estão, o futuro do setor estará ameaçado'', afirmou Osório. ''Enfrentamos um situação muito difícil, com os preços baixos tendo um impacto social terrível nos países produtores, com desemprego, abandono de safras e outras conseqüências preocupantes.''
Segundo cálculos da OIC, o excesso na oferta de café na safra 2002-2003 nos mercados mundiais poderá ficar próximo dos 20 milhões de sacas, deprimindo ainda mais os preços. Esse aumento na oferta foi causado principalmente pela safra recorde do Brasil, de 45 milhões de sacas. Osório salientou que o programa de financiamento de estoques do governo brasileiro será um fator fundamental para diminuir a oferta da commodity. ''Acreditamos que as medidas que vêm sendo adotadas no Brasil poderão atenuar o impacto dessa safra. Temos confiança que elas serão adotadas'', disse Osório.

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