Crisa derruba preço de terras
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sábado, 24 de janeiro de 2009
Fabíola Gomes<br> Agência Estado 
São Paulo - Os preços de terras agrícolas registraram queda no final de 2008, pressionados pela falta de liquidez decorrente da crise financeira internacional. Por conta da retração de crédito, o volume de negócios apresentou forte queda nos últimos quatro meses do ano. A avaliação é da analista de mercados Jacqueline Bierhals, responsável pelo levantamento bimestral sobre terras realizado pela consultoria AgraFNP.
''A crise deprimiu os preços das commodities agrícolas e era esperado que contaminasse o mercado de terras, mas a transmissão é mais lenta neste caso'', afirma Jacqueline. O revés das commodities espantou grandes investidores estrangeiros e especuladores que anteviam valorização da terra.
O valor da terra chegou a atingir valores recordes nas áreas de novas fronteiras agrícolas em 2008, mas no último bimestre recuou, refletindo os impactos da crise financeira global, aponta o relatório da AgraFNP. Este é o primeiro levantamento que aponta a reversão de preços. O levantamento mostrou que o preço médio da terra agrícola ficou em R$ 4.341/hectare no último bimestre do ano, queda de apenas 0,25% para R$ 4.330/hectare do bimestre anterior (setembro/outubro).
Apesar da variação negativa no último bimestre do ano, houve valorização de 8,3% no preço médio das terras agrícolas no País. ''Mesmo assim, isso não representa ganhos para o setor. Se comparado ao IGP-DI, que fico em 9,11% em 2008, houve perda de valor'', afirma Jacqueline.
Os dados da AgraFNP mostram que os preços das terras agrícolas brasileiras em 2008 foram recordes em termos nominais. Descontando-se a inflação, os valores só ficaram abaixo dos praticados no início de 2004, quando os preços das commodities estavam firmes em Chicago e o dólar alto favorecia os exportadores brasileiros de grãos. Em relação aos valores praticados há 36 meses (R$ 3.077/hectare), verifica-se valorização nominal de 40,7% e real de 5,7%, em média.
A maior alta de preços de terras agrícolas, em 2008, ocorreu na região Sul, na qual o avanço no ano chegou a 16,6%. ''Esta é uma região muito cara e bastante procurada para o cultivo de grãos'', explica a analista. Na sequência vem o Nordeste, com alta de 8,8%, movimento que também foi sustentado pela procura de áreas para plantio de grãos. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, os preços subiram 6,2% e no Sudeste 4,1%.
A expectativa para 2009 ainda não é clara e está bastante atrelada ao cenário econômico. ''Parece inevitável que os preços das terras comecem a recuar, mas, por paradoxal que possa parecer, se a situação piorar ainda mais, pode ocorrer uma corrida para os chamados ativos reais. Neste caso, ao contrário de se desvalorizar, as terras poderiam então ter reação de preços'', afirmou José Vicente Ferraz, diretor técnico da AgraFNP, no relatório da consultoria.


