Crime impune - Matas nativas do Paraná são dizimadas
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Reportagem Local 
Há mais de dois anos a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) divulgou documento alertando para a destruição de um dos maiores remanescentes de floresta nativa no Paraná, na região Sudoeste, promovida por sem-terras e assentados. A devastação de 12.500 hectares de mata foi documentada com mapas e informações levantados pela Fundação de Pesquisas Florestais da Universidade Federal do Paraná (Fupef).
Por conivência ou omissão, segundo a Faep, autoridades não conseguiram ainda parar a devastação da floresta de araucária em Quedas do Iguaçu. Tanto no Sudoeste como no Sul do Estado, é fato público e notório que a destruição de áreas florestais remanescentes é feita impunemente por sem-terra e assentados.
Na região de Quedas do Iguaçu, o Incra decidiu contratar seguranças particulares para vigiar uma área de três mil hectares, de um corredor de biodiversidade que já teria perdido 40% de seus pinheiros. A medida não atenua o escândalo da devastação desenfreada que começou na invasão de três mil sem-terras à antiga Fazenda Rio das Cobras, pertencente à agropecuária Giacometti-Marodin, depois Araupel.
A impunidade, ainda de acordo com o documento da Faep, não é exclusiva daquela região. Bituruna, no Sul paranaense, foi o município brasileiro recordista na destruição da Mata Atlântica entre 2000 e 2005, e a própria Secretaria Estadual do Meio Ambiente atribui o problema a nove assentamentos rurais que pressionam a floresta.
O documento Flora Devastada pelo MST, divulgado pela Faep em novembro de 2004, já denunciava a devastação no Sudoeste. A floresta nativa da Araupel em 1996 ocupava 33.254 hectares da área total de 87.167,51 hectares. Depois de invadida pelos sem-terras, a área com predominância de araucárias encolheu em 2002 para 22.640,1 hectares. Para a entidade, mesmo após sucessivas denúncias, os governos estadual e federal não agiram: entre 2003 e 2005 a Fundação de Pesquisas Florestais da UFPR constatou a extinção de outros 1.813,1 hectares de matas na Fazenda.
Desde a derrubada dos primeiros pinheiros, a federação e outras entidades e técnicos, como afirmam, levaram as denúncias aos órgãos competentes, como o Incra e o Instituto Ambiental do Paraná. A CPI da Reforma Agrária, em seu relatório aprovado no início de 2005, denunciou a conivência entre os governos e o MST, alertando que os assentamentos são verdadeiras caixas-pretas e que existe uma espécie de acordo de que quem tem carteirinha de sem-terra é inimputável.


