A família Salvan, de Céu Azul (51 Km a oeste de Cascavel), buscou uma nova atividade para gerar renda no inverno, e está conseguindo permanecer na propriedade, ao contrário de muito pequenos agricultores que estão deixando a zona rural. ‘‘Na linha em que nós moramos éramos em seis pequenos produtores, hoje estamos sozinhos. Uns arrendaram a propriedade e foram morar na cidade, outros venderam e foram trabalhar de empregado’’, contou José Salvan da Silva.
Segundo ele, a verdade é que independente da atividade, tem-se que ter vontade de trabalhar. ‘‘Nós aqui fazemos calo na mão. E também não tem feriado, sábado ou domingo, não importa o dia, é preciso trabalhar’’.
CriatividadeA família pode servir de exemplo para outros pequenos produtores, de que é importante ter iniciativa e diversificar a propriedade para obter novas fontes de renda.
Desanimado com o trigo, que diversas vezes causaou prejuízo, o agricultor começou a cultivar cana-de-açucar e com ela produzir a cachaça artesanal. A decisão foi tomada em 1997. E a iniciativa deu tão certo que hoje, além de gerar trabalho e renda para a família, a cachaçaria emprega mais três pessoas temporariamente. ‘‘No início tinhamos um pouco de receio de investir na cachaça, mas aos poucos percebemos que poderia dar certo. Hoje além da família, estamos podendo dar emprego para outras pessoas’’, diz.
Salvan é um pequeno produtor, com 10 alqueires de terra. No verão ele dedica-se ao cultivo de 20 alqueires de soja, sendo 10 arrendados. A cana ocupa cerca de 1,5 hectares de área. Ele explica que deixou de cultivar o trigo devido sua política agrícola que considera temerosa devido aos riscos de geadas, principalmente na região Oeste do Estado. ‘‘Outro motivo para desistir do trigo é a demora para receber o dinheiro do seguro. Ano passado perdi toda minha produção que estava assegurada e até hoje não consegui receber o dinheiro’’, reclama.
OpçãoO produtor esclarece que a opção pela cachaçaria foi apenas por gostar da atividade. Seus familiares trabalham com produção de vinho no Rio Grande do Sul, mas não tinha nenhuma experiência com produção de aguardentes. Por isso precisou pesquisar bastante, estudar e buscar conhecimento de quem possuía experiência no ramo.
Inicialmente foi conhecer o processo de fabricação no alambique de um amigo, o mesmo que veio à sua propriedade ensinar o ponto da sacarose e os métodos básicos de produção. José Salvan e a esposa Cleonice também leram muito sobre o assunto e buscaram o auxílio de entidades como a Emater. ‘‘Até hoje ainda continuamos buscando novas informações para aperfeiçoar cada vez mais’’ disse o produtor.
Para começar a produzir a aguardente, José Salvan precisou investir inicialmente R$ 15 mil na compra dos equipamentos e nas instalações que foram adaptadas em um barracão que já possuía. Ele observa que sua intenção é ampliar o local de trabalho para ter condições de produzir em uma escala maior. Há quatro anos quando começou a vender cachaça foram produzidos 2 mil litros, para esse ano a expectativa é manufaturar 15 mil litros do produto.
A cachaça Salvan é completamente natural, ou seja, orgânica, produzida sem nenhuma espécie de químicos. Desde o adubo que vai na terra é natural, gerado pelo bagaço da própria cana. As matérias primas são a cana-de-açúcar que ele mesmo cultiva, e complementa comprando dos vizinhos, e os temperos que também são cultivados, comprados fora ou até importados, no caso da casca de canela. O tempo de cultivo da cana é de 8 a 12 meses, dependendo da variedade.
Os sabores são variados. Tem a cachaça pura, a temperada e a tipo licor. A produção tem orientação técnica dos profissionais da Emater, que auxiliam no processo administrativo e decorativo das embalagens.
A venda é feita em todo o comércio de Céu Azul e em pontos turísticos às margens da BR-277 e gera em torno de 30% de lucro. Por enquanto a produção está sendo feita apenas no período de inverno, mas futuramente a intenção é ampliar para o ano todo. O produtor disse que a safra de cana-de-açúcar desse ano ficou um pouco prejudicada por causa das fortes geadas registradas ano passado. ‘‘A intenção é todo ano aumentar um pouco a produção. Nossa cachaça está tendo uma grande aceitação em toda região’’, comemora.

mockup