Dois anos após iniciar a criação de avestruzes em uma chácara na zona rural de Londrina, a família de Henrique Caramuru Cézar se prepara para receber o primeiro lote de filhotes concebidos na propriedade. Ex-bancário, ele abandonou a profissão para se dedicar à atividade e atualmente, possui um plantel com 12 animais, além de hospedar oito aves de outros proprietários. Satisfeito com a mudança, Cézar garante que já conseguiu pagar o investimento inicial de R$ 9 mil, utilizado para comprar dois casais de filhotes e adaptar a estrutura da chácara arrendada. Afirmou ainda que não precisa mais investir recursos próprios na propriedade. ''O negócio se paga'', disse. Como a atividade é recente no Brasil, as aves são vendidas para outros criadores. ''Ainda não há estrutura para o abate'', informou.
Sua esposa, a professora Deize Poli Cézar e o filho do casal, Henrique Caramuru Cézar Júnior, também trabalham na criação dos animais. Eles contam ainda com a assistência técnica de uma médica veterinária e empregam um caseiro que auxilia no tratamento das aves.
Início Deize contou que despertou para a estruticultura, como é chamada a criação de avestruzes, após ver uma reportagem sobre o assunto na televisão. ''Nos interessamos, mas antes de iniciarmos, pesquisamos sobre o tema e visitamos vários criatórios'', contou.
Há dois anos atrás, compraram dois casais de filhotes com três meses de idade e os venderam já adultos. Com o dinheiro, compraram mais cinco casais e assim sucessivamente. Hoje, possuem um macho adulto e duas fêmeas que foram reservados para matrizes, além de nove animais disponíveis para comercialização. Desde o início da atividade, já venderam 15 filhotes.
As duas fêmeas já começaram a postura de ovos, que são enviados a uma incubadora terceirizada. A fase de chocamento leva 42 dias. ''Em um mês, teremos nossos próprios filhotes, o que aumentará a lucratividade'', espera Henrique. Os animais chegarão com cinco dias de idade e ficarão em um berçário até os três meses, considerada a idade mínima para comercialização.
Ele informou que cada filhote de três meses custa R$1,5 mil. Com um ano, quando já podem ser abatidos, o preço sobe para R$4,5 mil a R$5 mil. Os adultos em idade reprodutiva, que se inicia aos dois anos, podem atingir R$ 15 mil.
Um animal de doze meses fornece uma média de 35 quilos de carne limpa. Como o abate ainda é irregular no País, o preço do quilo do produto importado chega a U$40. A carne tem a aparência e o gosto do filé mignon bovino, mas apresenta a vantagem de ser mais saudável.
A família também presta serviços de hospedagem de avestruzes a outros criadores que não possuem terras. Cada filhote de até seis meses é hospedado por R$ 60 mensais, incluindo assistência técnica, manejo e alimentação. Para aves mais velhas, o preço sobe para R$70.
Manejo Henrique Júnior informou que o custo com cada animal é barato se comparado com a rentabilidade que proporcionam. ''Diariamente, gastamos R$0,60 por cabeça'', contou. Ele considera fácil o manejo das aves. ''Os avestruzes são rústicos e se adaptam fácil a qualquer ambiente'.'
A assistência técnica é fornecida pela médica veterinária Patrícia Tubélis, que começou a aprender sobre as aves junto com a família Cézar. ''Como é uma atividade nova no Brasil, não existem muitos profissionais especializados'', analisou. Ela informou que os animais comem ração e pastagem. ''É importante manter a rotina da alimentação, respeitando os horários, pois os avestruzes são muito sensíveis a mudanças'', explicou, lembrando que eles se apegam ao tratador e estranham pessoas desconhecidas.
O adjetivo ''estômago de avestruz'', normalmente utilizado para designar aquelas pessoas que comem de tudo e raramente passam mal, também é explicado pelos hábitos alimentares das aves. De acordo com Deize, os avestruzes comem pedras roliças para facilitar a digestão dos alimentos.''As pedras auxiliam o avestruz a digerir as fibras na moela'', explicou Patrícia.
Segundo orientação da veterinária, é necessário manter as aves sob observação constante. ''Os avestruzes demoram para demonstrar qualquer tipo de alteração, pois na natureza, precisam se mostrar fortes perante os predadores'', relatou.
Com relação às doenças, a mais comum e que pode até levar à morte é a impactação gástrica. Quando os animais ficam estressados, principalmente por mudanças bruscas de temperatura ou após serem transportados, a comida endurece no estômago, trazendo problemas para o desenvolvimento das aves. Patrícia também recomenda manter o plantel longe de aviários para evitar a contaminação por doenças de galinhas.

mockup