Criadores de gado nelore estiveram reunidos esta semana na sede da associação em São Paulo para discutir o lançamento da ‘‘Carne Nelore. Boi de Capim’’ em redes de supermercados de todo o País.
‘‘A mobilização dos 150 maiores criadores do País é inédita no setor. Pela primeira vez organiza-se a cadeia produtiva do nelore, presente em 80% do rebanho nacional, e inicia-se a implantação de um sistema efetivo de criação do boi ecológico, com rastreabilidade e segurança alimentar,’’ garante o presidente da Associação Nacional de Criadores de Nelore (ACNB), Carlos Viacava.
‘‘A carne nelore passa a ser modelo de saúde para o mundo. Nosso gado é branco e de pêlo curto, o que é sinônimo de higiene; além de resistir aos parasitas, aos longos meses de estiagem das regiões mais áridas, e adaptar-se perfeitamente ao clima quente dos trópicos’’, completa o gerente-executivo da ACNB Eduardo Krisztán Pedroso.
Coincidência De acordo com Pedroso, o projeto foi iniciado há três anos, com objetivo de levar ao mercado um produto de qualidade padronizada.
‘‘Coincidentemente, após esses três anos de trabalho, surge o problema da BSE mundial (mal da vaca louca), em que se levanta a lebre da segurança alimentar. Nosso produto é um boi de capim por excelência, que até pouco tempo, para muitos, era considerado um sinal de constrangimento. Quer dizer, para muita gente ter boi em pasto era atraso; hoje, entretanto, quem sabe pode até passar a ser um modelo de saúde, de segurança alimentar para o mundo.’’
Rastreabilidade O projeto, segundo Pedroso, contempla a médio e longo prazos realizar a rastreabilidade total do rebanho nelore. O primeiro passo é coordenar um grupo de pecuaristas que assumam fazer o mínimo exigido para manter a qualidade padronizada e a segurança alimentar na ponta da cadeia.
Produzir um animal a base de capim ou de outros produtos vegetais, segundo Viacava, é simples, mas é preciso manter um padrão. ‘‘Na verdade o que queremos é um boi que já existe, e obviamente trabalhar para ir melhorando. A princípio é um boi que já existe e que pode se adaptar aos padrões mínimos exigidos. Não há nada de extraordinário nisso.’’
De acordo com Eduardo Pedroso, muito tem se falado em coordenação de cadeia produtiva e da importância da rastreabilidade. ‘‘Efetivamente é muito difícil precisar esse número, ou dizer se existe ou não. Poderíamos até sugerir que não existe. Nem aqui, nem fora do Brasil. Algumas iniciativas estão sendo feitas, alguns produtores estão se preocupando com essa exigência, mas na verdade é um campo onde todo mundo ainda está aprendendo, refletindo , ou se preparando para isso.’’
Abertura de mercado No evento realizado durante a semana em São Paulo 67 criadores discutiram a proposta de vender a ‘‘Carne Nelore. Boi de Capim’’ a uma grande rede de supermercados que já se mostrou interessada no lançamentdo do produto.
Segundo Pedroso, que prefere não divulgar o nome da rede de supermercados, mas adianta que é uma das três maiores do País, a empresa propôs a compra do produto, mas exige garantias de entrega e padronização. Os dirigentes ainda não resolveram se esse contrato será fechado.
Independente do fechamento de contrato com essa ou outra rede de supermercados, dentro do projeto da ANCB, assegura Pedroso, a idéia é começar trabalhando no mercado de distribuição em São Paulo. Para isso os animais de abate poderão ser captados de diversas regiões do País, de Rondônia a Goiás.
Outra etapa será divulgar ao consumidor a origem do produto, o sistema de criação em que essa carne é produzida, ‘‘garantindo informações sobre a sanidade e a qualidade do produto’’, completa Pedroso. ‘‘Está mais do que na hora de respeitar o consumidor.’’
Produto valorizado ‘‘A partir do momento em que existe consciência e certeza da segurança e seriedade do produto; de que esse produto tem um lastro de conceito e de trabalho investido, obviamente que vai existir aí um valor agregado’’, afirma Predoso.
Fazendo um trabalho correto, acredita Carlos Viacava, o pecuarista, por sua vez terá um valor agregado ao seu produto. ‘‘A idéia é produzir uma carne de rebanhos comerciais, com custos competitivos - e esse de fato é o nosso ponto forte - , com input de gastos, de processos de trabalho, de acompanhamento técnico e garantia dessa carne. Não sei se mais barato. Há quem diga que o mercado é balizado por cima: não é o boi bom que vale pouco; é o bom ruim que vale muito. Mas a nossa proposta é trabalhar com raciocínio empresarial. Chega de especular commodities, o que se tem a fazer é trabalhar em cima de custos de produção, conhecer bem o mercado que vai ser abastecido e implementar suas margens, é claro.’’

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