Criadores aprimoram raças para produzir carne
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sexta-feira, 27 de abril de 2001
Cláudia Barberato De Londrina 
A situação de destaque do Brasil na produção mundial de carne, diante dos problemas da vaca louca e aftosa em outros países do mundo, está levando associações de criadores de bovinos de raças européias a aumentarem a adesão aos programas de melhoramento genético e a participação em provas zootécnicas. A opinião é da superintendente técnica da Associação Brasileira de Criadores da Raça Marchigiana, Luciana Neuenhaus.
Essas provas, com apoio da pesquisa e técnicos da iniciativa privada, são realizadas para medir e comprovar a habilidade das raças na produção de carne, especialmente no cruzamento com bovinos indianos e orientar a seleção de animais para produção de genética. O objetivo dos criadores é provar que o europeu também é capaz de produzir carne a pasto, especialmente no cruzamento com o nelore e que as fêmeas podem ser ótimas mães, desmamando bezerros mais pesados, produzindo embriões ou sendo utilizadas como barriga de aluguel por outras raças bovinas.
Carne própria No caso da raça marchigiana, segundo Luciana, nos últimos cinco anos mudou o padrão de animal produtivo procurado pelos criadores. Antes a seleção se dava por peso e altura. Hoje queremos um animal menor, com incremento de musculosidade e comprimento e profundidade de corpo. Mais precoce e com bons resultados no cruzamento industrial.
A associação da raça marchigiana, atrás de sua fatia de mercado na produção de carne, está iniciando um estudo junto aos frigoríficos para saber como estão os abates dos animais cruzados da raça.
Criadores que adotam programas de melhoramento e provas zootécnicas estão interessados em saber o número de carcaças abatidas do cruzado marchigiana. De acordo com a superintendente técnica, o objetivo é avaliar a criação da marca de carne marchigiana, a exemplo do que tem sido feito em outras raças bovinas. Luciana acredita que o levantamento poderá medir o quanto a raça tem sido usada na cruza industrial com o nelore (base do rebanho nacional) para produção de carne.
Provas para tudo Cada raça está buscando sua identidade dentro da cadeia produtiva da carne, comenta o pesquisador da área de Melhoramento Genético, da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), Luís Otávio Campos da Silva.
Programas de melhoramento genético são feitos para conseguir características como boa adaptabilidade e tolerância ao calor, rusticidade, precocidade sexual para machos e fêmeas, habilidade materna, ganho de peso, rendimento de carcaça, entre outros. O sucesso desses programas é comprovado através de provas zootécnicas.
Essas provas geram a Dep (Diferença Esperada na Progênie) que hoje, segundo o pesquisador, é um dos modelos de análise mais usado para na pecuária. Ela identifica características melhoradoras que os pais, os touros, conseguem imprimir nos filhos. Com isso, criadores podem programar o acasalamento adequado do rebanho.
Exportar genética Provas de ganho de peso, testes de resistência ao calor, indicação de touros jovens que iniciem a vida reprodutiva mais cedo, avaliação também da precocidade sexual das fêmeas, entre outras avaliações, já fazem parte da rotina dos pecuaristas da Associação de Criadores de Blonde DAquitaine (ACBD). O objetivo é ofertar touros da raça para o cruzamento industrial. Hoje há um déficit de touros no mercado e, no caso dos europeus, poucas raças deverão atender a essa demanda.
Para medir a capacidade dos machos, os criadores estão fazendo, em conjunto com a Universidade de São Paulo (USP), de Pirassununga (SP), o Teste de Indução de Tolerância ao Calor (ITC). O objetivo é provar que os machos têm capacidade para cobrir vacas nelore a campo, afirma Jamil Buchalla Filho, presidente da associação.
Segundo Buchalla, a associação está estudando um convênio com um grupo francês para levar para a França a genética que estão produzindo no Brasil. Com a proibição de importar material genético e animais, além dos problemas de sanidade em vários rebanhos do mundo, os franceses estão interessados em comprar a genética do rebanho brasileiro que, curiosamente, foi formado com genética francesa.
Avaliação de touros Kenneth Coelho, presidente do Núcleo Brasileiro de Criadores de Pardo Suíço Corte, com sede em Campo Grande (MS), faz parte de um grupo de pecuaristas daquele Estado que trabalha no Programa de Qualidade da Carne, desenvolvido pela Embrapa Gado de Corte.
A carne é proveniente dos cruzamentos do macho da raça com fêmeas nelore. As fêmeas puras pardo suíço são utilizadas como mães de aluguel na transferência de embriões de outras raças. O núcleo está desenvolvendo um sumário para indicação de touros para cruzamentos. Este ano deverá distribuir 20 mil doses de sêmen para serem usadas em vacas nelore. Os filhos desses cruzamentos serão avaliados em Dep, num trabalho conjunto com o Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (SP).


